segunda-feira, 23 de abril de 2018

Itaqui apoia ereção de monumento a Sepé Tiaraju - 1956


ITAQUI APOIA EREÇÃO DE MONUMENTO
A SEPÉ TIARAJU – 1956
Prof.º Paulo Santos
 
imagem do endereço https://viniciusribeiroescritor.wordpress.com
No ano de 1956, nossa cidade era notícia no cenário estadual através da edição n.º 2908, página 2, do Jornal do Dia, com a sugestiva manchete ”Itaqui Cultural apoia a construção do monumento ao índio Sepé Tiaraju”.
Transcorriam-se dois séculos da morte de Sepé Tiaraju, na região que hoje leva seu nome, precisamente a 7 de fevereiro de 1756, dias antes da Batalha de Caiboaté onde o exército coligado da Espanha-Portugal aniquilou com as forças revolucionárias de Nicolau Nhenguiru que se insurgiam contra as decisões do Tratado de Madrid.
 O capitão de milícias missioneiras, Sepé Tiaraju, era um dos lugares-tenentes da insurreição, um dos líderes mais emblemáticos. Sua morte é cercada de detalhes sensacionalistas, dando a entender que foi morto por um militar espanhol e por um luso. Junto, carregou uma aura mística e lendária. Resplandeceu nas Missões a épica denominação do “lunar de Sepé”.
Pois nesse período, algumas lideranças culturais do estado propuseram ao governador que fosse edificado um monumento ao destacado líder missioneiro Sepé Tiaraju. Para tanto, foi encaminhada uma solicitação ao Instituto Histórico do Rio Grande do Sul, solicitando um parecer.
Formou-se uma comissão cujos componentes eram o professor Afonso Guerreiro Lima, professor Othelo Rosa e Dr.º Moysés Vellinho, todos doutos conhecedores da cultura e história rio-grandense. Esta comissão reconheceu os atos de valentia de Sepé, entretanto negava a qualidade dele ser brasileiro, posto que defendia as ideias da Espanha. Diziam que ele era um súdito espanhol, que combatia em armas a incorporação ao Brasil do território que a mesma Espanha cedera pelo Tratado de Madrid em troca da Colônia de Sacramento.
Esse combate é tratado pelos pesquisadores como uma hecatombe – mais de mil índios missioneiros foram mortos pelo exército luso-espanhol, umas das maiores chacinas da história pregressa brasileira nesses confins. Os cálculos diferem entre os pesquisadores, mas ultrapassam a 1.300 missioneiros mortos por um exército composto por 3.700 soldados com armas avançadas para a época.
Esse tratado foi anulado em 1761 e tudo voltou a ser o que era. A morte de milhares de índios fora em vão. O território missioneiro somente passa ao domínio brasileiro a partir de 1801 com as correrias de Santos Pedroso e Borges do Canto.  Aqui no Rio Grande tudo se resolvia a pata de cavalo, arma branca e bala e bala!
Pois, então, formou-se no estado uma corrente fortíssima a favor de tal homenagem. Várias lideranças culturais, entidades e representações enviam mensagens ao líder do governo para aprovação do monumento. A ideia era construir um monumento em São Gabriel. A discussão no meio intelectual foi intensa.
E Itaqui insere-se neste contexto. Ano de 1956. Três entidades unem-se e mandam a Manoelito de Ornellas (célebre escritor gaúcho, nascido em Itaqui), um dos líderes de tal proposição, uma comunicação dizendo da intenção de apoiar o movimento
Assinam o documento: Reynaldo Mendes da Fonseca, presidente do Centro de Tradições Bento Gonçalves; Dr.º Olimplio Tabajara, presidente da Associação Teatral José de Alencar e Dr.º Ludgero Marenco Pinto, presidente da Biblioteca Pública de Itaqui.
Não se sabe como ficou essa celeuma. Um monumento ao líder missioneiro foi construído em São Luís Gonzaga. Entretanto, destaca-se a atuação das forças vivas itaquienses de então em defesa da cultura, da história e da memória rio-grandense.
Que pena que atos dessa natureza não mais ocorram em nossa centenária cidade!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

As primeiras sesmarias e as antigas estâncias de Itaqui


AS PRIMEIRAS SESMARIAS E AS ANTIGAS ESTÂNCIAS DE ITAQUI
Prof.º Paulo Santos

Após o cessar das hostilidades luso-espanholas, ou ao menos, a diminuição, o território onde hoje se assenta Itaqui começou a ser delineado como possessão portuguesa, após a retomada por Borges do Canto, Santos Pedroso e outros aventureiros desertores, em 1801.
Assim, inicia o processo de concessão das sesmarias em Itaqui a partir de 1802. Sobre sesmaria, convém observar o que cita Mônica Diniz (2005, p.1):

 O vocábulo sesmaria derivou-se do termo sesma, e significava 1/6 do valor estipulado para o terreno. Sesmo ou sesma também procedia do verbo sesmar (avaliar, estimar, calcular) ou, ainda, poderia significar um território que era repartido em seis lotes, nos quais, durante seis dias da semana, exceto no domingo, trabalharam seis sesmeiros.
As sesmarias eram terrenos incultos e abandonados, entregues pela Monarquia portuguesa, desde o século XII, às pessoas que se comprometiam a colonizá-los dentro de um prazo previamente estabelecido. Muitas dessas terras estavam sob a jurisdição eclesiástica da Ordem de Cristo e lhes eram tributárias, sujeitas ao pagamento do dízimo para a propagação da fé.

Os primeiros sesmeiros

O comandante militar da província, Brigadeiro Francisco João Rescio, deu início à concessão das sesmarias a patrícios portugueses, visando povoar o imenso território e formar um segmento demográfico, de cunho oficial, responsável pelo controle do espaço territorial luso, evitando os dissabores das invasões espanholas. A partir de 1802, prolongando-se uma década após, receberam grandes áreas muitos habitantes da região, dentre eles alguns militares efetivamente envolvidos em lutas na defesa do solo brasileiro para a coroa portuguesa. Importante reconhecer, segundo Helen Ortiz (www.2esh.cho.pro.br):

Enquanto fomos colônia de Portugal, as terras que hoje formam o Brasil pertenciam ao rei português e ele as distribuía a quem bem quisesse. À metrópole interessava doar as sesmarias – que eram grandes extensões de terras – a aqueles que dispunham de recursos para explorar essa terra e assim manter o domínio luso sobre a região.

Assim entendido, receberam grandes extensões de campos, os seguintes povoadores:
1. Manoel da Rocha e Souza – esposo de Rosa Maria do Nascimento, três léguas quadradas, onde foi criada a cidade. Parte desta sesmaria esteve em litígio durante algum tempo, pois o General David Canabarro teria comprado essas terras para a edificação da Vila, sendo que os herdeiros de Rosa requeriam a posse; 2. Manoel José Correa; 3. Padre José Pahim Coelho de Souza; 4. Manoel Ribeiro da Silva- 6 léguas quadradas; 5. Gabriel Godinho; 6. Antonio José Gonçalves; 7. Lino Pedro Belmonte; 8. Manoel de Souza Caldas; 9. Atanásio José Lopes – furriel que fora atacado na barra do Cambai pelas tropas do caudilho guarani, Andresito Artigas, em 1816, pai de D. Antonia Loureiro, casada com Manoel (Manduca) Loureiro; 10. Vitorino Antonio de Camargo; 11. José Antunes Monteiro; 12.Joaquim Rodrigues Lima – na estância Santo Cristo; 13. Antonio Caetano de Araújo; 14. Lino José Pinto; 15. João José Pereira; 16. Joaquim Marcelino de Vasconcellos; 17. João Damasceno de Córdoba; 18. Miguel Pereira Simões; 19. Santos José Pereira; 20. J. Pires da Silva; 21. Romoaldo José Pinto; 22. Pedro Belmonte da Silva; 23. José Maria Marques; 24. Francisco de Paula Pereira dos Santos; 25. Laurindo Pereira Fortes; 26. Elias Galvão de Aquino; 27. Anastácio José Rodrigues; 28. João Antonio do Espírito Santo; 29.Manoel José Machado; 30. Manoel Pereira de Escobar – em terras que formavam a estância jesuítica de Santa Maria da Tigana, ruínas ainda visíveis em 1856; 31. Lourenço Maria de Almeida Portugal; 32. Jerônimo Rodrigues Vieira; 33. Evaristo Ornellas; 34. João Antonio da Silveira; 35. Vicente Alves de Oliveira; 36. Manoel Machado de Souza;  37. Luiz José da Costa; 38. Venceslau Antonio Pinto; 39. José Antonio de Castilhos; 40. Raimundo Vieira Gonçalves; 41. Manoel Rodrigues Marques.

As primeiras sesmarias

Em 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil, no governo do Intendente Dr.º Bernardo Píffero, e do vice, Dr.º Roque Degrazia, foi mandado confeccionar um mapa da divisão territorial do município, onde constavam 5 distritos, fazendo divisa com São Borja, São Francisco de Assis, Alegrete e a República Argentina. Esse mapa está no Arquivo Público do Rio Grande do Sul, do qual obtivemos cópia. Nele constam as mais antigas sesmarias pelas quais estavam divididos os campos do antigo Rincão da Cruz, mantendo a grafia da época:

No 1.º distrito:

1.    Sesmaria Rocha – sede do povoado;
2.    Sesmaria Antonio José;
3.    Sesmaria Assumpção;
4.    Sesmaria Santa Maria (no Ibicuí);
5.    Sesmaria São João do Ibicuí.

No 2.º distrito:

1.    Sesmaria São Miguel;
2.    Sesmaria Mariano Pinto;
3.    Sesmaria Sociedade;
4.    Sesmaria São Solano;
5.    Sesmaria Bittencourt;
6.    Sesmaria do Padre;
7.    Sesmaria São João da Boa Vista;
8.    Sesmaria Ramão de Abreu;
9.    Sesmaria São João;
10.  Sesmaria São José;
11.  Sesmaria Bom Retiro;
12.  Sesmaria Espinilho;
13.  Sesmaria São Donato;
14.  Sesmaria Tuparahi.

No 3.º distrito:

1.    Sesmaria Santa Maria da Tigana;
2.    Sesmaria Santa Rosa do Capão Grande;
3.    Sesmaria Monte Alegre;
4.    Sesmaria Jacuí;
5.    Sesmaria Bororé;
6.    Sesmaria dos Espinilhos;
7.    Sesmaria Guapohy;
8.    Sesmaria Itaó;
9.    Sesmaria Dornelles;
10.  Sesmaria Santa Rosa.

No 4.º distrito:

1.    Sesmaria Santo Christo;
2.    Sesmaria do Butuhy;
3.    Sesmaria Piche;
4.    Sesmaria de São Canuto;
5.    Sesmaria das Éguas Morochins;
6.    Sesmaria da Figueira;
7.    Sesmaria Curuçu (Curuçu pucu).
   (cópia preservando a grafia da época)

Noutro momento, traremos algumas ESTÂNCIAS ANTIGAS.



quarta-feira, 14 de março de 2018

O tesouro dos Jesuítas


O TESOURO DOS JESUÍTAS
O imaginário coletivo alimentando caçadores povoeiros na costa do Ibicuí!
Prof.º Paulo Santos
Um dos assuntos que mais aguça a curiosidade popular são os tesouros enterrados, os famosos “enterros”! Um misto de fantasia, exageros, doses homeopáticas de realidade e muito misticismo. Receita perfeita para os amantes dos causos e entrecausos. E entre esses fantasiosos relatos, um transcende a todos pelo inusitado de sua construção épica e folclórica – o Tesouro dos Jesuítas!
 A Ordem dos Jesuítas foi proscrita da América e a Carta Régia de 13 de setembro de 1759 expulsava do reino do Brasil a Companhia de Jesus. O decreto previa que os bens desses religiosos seriam incorporados ao fisco real e revertidos à Coroa Imperial Brasileira.
As fontes daqueles períodos indicavam que esta irmandade juntou um patrimônio extremamente elevado, constando inclusive muito ouro, prata e joias, alfaias das igrejas, mobiliários, propriedades etc.
E nessa esteira surgem as versões a tesouros escondidos quando da expulsão da Ordem desse continente. As incidências sobre tais fatos são infindas. Descrição de tesouro em diversos lugares do Rio de Janeiro, na Bahia, em Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Sul. E aqui chegamos!
O mais expressivo caso – o Tesouro dos Jesuítas no campo dos Barbosa, em Itaqui, RS.
Inúmeros pesquisadores ocuparam-se desse tema. Entre eles, destaco nosso dedicado historiador Jesus Pahim, inclusive com um livreto de lendas onde trata do tema. Além dele, o ilustrado escritor Milton Braz Rubin em sua última obra, dedicando expressivo espaço para tal.
Um documento assaz significativo encontrei na Biblioteca Nacional, no link da Hemeroteca Digital. Trata-se da edição número 051, ano de 1955, da Revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, que nas páginas 38 a 42, traz a interessantíssima reportagem intitulada “O TESOURO DOS JESUÍTAS. Às margens do Ibicuí, enterrado há quase meio século,” Texto e pesquisa de Leoni Machado.
Ali temos uma cobertura singular de algumas expedições empreendidas no sentido de desenterrar esse fabuloso tesouro. É sabido que o sr. Carlos Teles, de Porto Alegre, alguns anos antes de 1940, teve conhecimento de um pergaminho e um mapa que indicava a existência do tesouro dos jesuítas, numa curva do rio Ibicuí, nos campos da família Barbosa, em Itaqui.
O Jornal Correio do Povo, de 1972, elabora e traça a história desse aventureiro nos campos dos Barbosa.
A revista O Cruzeiro, sabendo disso, organiza a cobertura de tão destacada notícia alguns anos mais tarde. Sabe-se que a busca por este tesouro durou décadas e décadas.
Pois, a Revista narra as aventuras engendradas por este senhor junto com os proprietários das terras, no caso o sr. Bolivar Barbosa, filho de Marciano Barbosa e irmão de Togo Lima Barbosa (pai do Dr.º Marco Aurélio Barbosa, residente em Itaqui). Uma equipe de reportagem veio a Itaqui em 1955 e cobriu algumas escavações. Utilizaram detector de metais, empregaram mais de cem homens, cavaram centenas de buracos e nada do tesouro.
Aquele meio de comunicação, em dado momento declara:
“Comentários feitos por alguns espíritas os quais afirmavam que o tesouro era guardado pelos espíritos dos índios que tinham sido enterrados com ele.”
O tesouro teria sido enterrado numa curva do rio Ibicuí, no centro de um triângulo formado por pedras distando cem passos entre cada uma. No pergaminho encontrado nas escavações da igreja jesuítica de Yapeju por alguns operários, datado de 1775, constava que havia um baú com objetos da igreja, algumas caixas contendo novecentas e noventa barras de ouro e uma caixinha  com pedras preciosas.
O cálculo disso em 1955 beirava a duzentos milhões de dólares.
Isso atiçou a cobiça de muita gente. Até empresa, em Porto Alegre, foi formada para explorar tal área. Quando começaram os trabalhos para construção da ponte do rio Ibicuí (por volta de 1887), consta que até os ingleses andaram cavando atrás do ouro. Os funcionários descobriram e foi uma agitação total – todos queriam descobrir o tesouro.
Mas....nada...buracos e mais buracos...os guardiões não deixaram ninguém chegar perto de tanta riqueza.
Ou será que havia tudo isso?
É a lenda! A transfiguração do real, o fomento ao imaginário coletivo e o desejo impulsivo da riqueza  em tarefas épicas e mirabolantes. Ninguém consegue. Ninguém conseguirá! Nesse mesmo rio há a lenda de que um sino de tamanho descomunal, dos jesuítas em fuga, teria caído no rio Ibicuí, com a boca para baixo. Um padre de Itaqui, o francês Leon Blondet, junto com o fazendeiro Marciano Barbosa tentaram tirar esse sino do rio com várias juntas de boi. Conseguiram?
Não. Ninguém consegue! 
A lenda só é lenda porque fica no imaginário coletivo. É o fermento que alimenta as rondas campeiras, a beira dos fogos de chão, das lonjuras das carreteadas, do trote em silêncio dos gaúchos nos hermos das amplidões e na prosa galponeira da gente desse tempo.
Nada além disso! ..mas bem que uma dessas barras de ouro nos ajudaria bastante!!!



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ênio Cacciatore Sayago

ÊNIO CACCIATORE SAYAGO
Prof.º Paulo Santos
Este texto recebi, na íntegra, de um itaquiense (Paulo Cabral), morador em São Paulo, que mantinha ligação com a família de Ênio Sayago, um prefeito de Itaqui. Hoje quase ninguém sabe nada sobre sua história. Dessa forma, transcrevo-o da forma como o recebi. Vejam quem foi e o que fez esta grande figura pública do Itaqui antigo.
foto recebida da família, com pouca resolução.
Enio Cacciatore Sayago nasceu em 8 de janeiro de 1922, em Itaqui, filho de Esther Cacciatore e José Sayago.
Precoce ainda, perde sua mãe aos dois anos, sendo criado por tios e tias.
Na sua infância o prazer maior era nadar nas águas do rio Uruguai. Quando jovem, frequentava CTGs, sendo apaixonado por músicas de sua terra.
Com 16 anos, trabalhava na farmácia de seu cunhado, Max Krause, empenhando-se com afinco nesse ofício. Seu grande sonho era ser médico. Não pôde alcançar esse objetivo pela ausência de recursos financeiros, seu pai havia falido.
Aos 21 anos resolve defender a pátria, alistando-se na Força Expedicionária Brasileira – FEB. Participou do teatro de operações de guerra na Itália, de 22 de fevereiro a 29 de agosto de 1945, junto ao III Batalhão, sendo licenciado em 1 de outubro de 1945.
No retorno à terra natal, foi recepcionado pela sociedade itaquiense com um baile de recepção e de boas vindas, organizado pela sua futura esposa, senhorita Maria do Horto Moretti, também filha de Itaqui.
Em 28 de maio de 1949 contrai núpcias com Maria do Horto.
Nesta ocasião, prestou concurso e foi aprovado no Banco do Brasil, nomeado para assumir o posto da União da Vitória, Paraná. Lá nasceu seu primogênito, José Alberto.
Estando Maria do Horto grávida, à espera do segundo filho, Ênio, que tanto amava sua terra natal, fez questão que este filho viesse a nascer em Itaqui. Assim, Maria do Horto foi levada a Itaqui para o seu segundo parto, e nasce Elizabeth, a única mulher do casal.
Nesse período, a família assume a guarda da afilhada Maria, que passar a morar com eles.
É transferido para Porto Alegre, instalando-se com a família no bairro da Glória, próximo a outra de suas paixões, o Grêmio Futebol Porto Alegrense. Também em Porto Alegre nasce o último filho do casal, que levaria o nome do pai, em sua homenagem – Ênio Sayago Jr.
Amigos insistiram que se candidatasse à prefeitura de Itaqui, filiando-se ao PTB, que lhe estendeu convite. É eleito para o período de 1956 a 1960, sendo seu vice, o Dr. Sany Fontoura Silva.
Ao ser empossado na prefeitura, Ênio Sayago tinha uma visão humanística e pública.  Entre suas ações de governo que podem ser salientadas situam-se, entre outras,: praça para as crianças, casa para todos, espécies de programas governamentais.
Dava forte apoio aos pequenos agricultores e utilizava as máquinas da prefeitura em empréstimos. O agricultor financiava o diesel e a diária do maquinista, somente nos finais de semana.
Encerrado o mandato, retorna a Porto Alegre com a família. Assume no Banco do Brasil a função de instalador de agências, em 1960. Nessa função, muda-se novamente com a família para União da Vitória, PR.
Em setembro desse mesmo anto assume a instalação da agência de Pato Branco, no mesmo estado. Esta agência é inaugurada pela então presidente da República, João Goulart.
Numa de suas constantes  viagens a seu torrão natal, volta em companhia da pequena Maria Ivone, que é mais uma a agregar à\ família.
Com as mudanças ocorridas na ocasião, é transferido para Porto Alegre.
Desgostoso com as alterações políticas, licencia-se do Banco do Brasil e muda com a família para a cidade do Rio de Janeiro.
Sofre, então, os primeiros sintomas de doença grave. Resolve mudar para cidade de São Paulo, onde existia o melhor centro cardiológico do país.
Reassume suas funções no Banco do Brasil, porém em 1971 sofre uma trombose grave, com lesões sérias, adiando seu sonho de voltar para Itaqui.
Nesse período, aposenta-se por invalidez, mas em todas as férias escolares dos filhos, trazia-os pra rever a terra natal, sua querida Itaqui.
Em sua última viagem, hospedado na casa de Helena Schenini Moretti, conhece um guri que o encantou: Paulo Roberto Cabral, e pede permissão a sua mãe para levá-lo a São Paulo como sua companhia. Era mais um membro a somar à família.
Em 1975 perde a visão totalmente, e Paulo Roberto assume as leituras diárias de quatro jornais, um hábito seu.
Aos 16 de outubro de 1978, fecha seus olhos para o sempre, em São Paulo. Foi cremado e suas cinzas repousam no cemitério Getsmani. Deixou à esposa e filhos o exemplo de imenso amor à sua terra natal, sua amada Itaqui.
Obs.; Este texto foi organizado pela família de Ênio Sayago e recolhido por Paulo Roberto Cabral, que em 2011 nos enviou.

Hoje, em Itaqui, o nome Ênio Sayago faz parte de um conhecido bairro, assim como do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Ênio Sayago, uma das maiores campeãs do carnaval de rua de Itaqui.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Da palmatória ao data show - sempre professor!

DA PALMATÓRIA AO DATA SHOW – SEMPRE PROFESSOR!
Prof.º Paulo Santos
No 15 de outubro é comemorado o Dia do Professor. No Brasil, não há muitos motivos para se comemorar, tendo em face o descaso com que essa classe é tratada. É na verdade um magistério. E olha que tem que ter vocação, hein! 
Folheando as amarelas páginas do passado, vamos encontrar registros pitorescos a cerca do magistério e das condições que o profissional dessa área convivia. Itaqui, antes de sua emancipação já recebia por parte do governo provincial algum tipo de atendimento. Professores avulsos atendiam aulas de meninos e meninas.
Em 1840, uma comissão examinava o professor Joaquim José de Lacerda para o exercício das primeiras letras à freguesia de Itaqui, foi aprovado e nomeado. Mais tarde, a 13 de julho de 1846, a Câmara de São Borja indicava ao governo provincial, José Gualberto da Fontoura para reger a escola masculina de primeiras letras da capela de Itaqui, juntamente com sua esposa, Maria Eulália da Fontoura Vasconcelos, para a escola feminina.
Quando Itaqui se emancipou de São Borja, a governo da Província fez a nomeação do primeiro professor público de Itaqui, o poeta romântico Pedro Antonio de Miranda. Olhem, caríssimos leitores! A coisa já era complicada desde o início dos tempos por aqui. Pedro Antonio de Miranda não ficou mais do que um ano na classe. Abandonou as aritméticas, as tabuadas, o quadro-negro, os bancos, as palmatórias e as canetaa à pena, a luz à vela de sebo de porco e “deitou o cabelo”, numa expressão bem coloquial fronteiriça.
Abandonou o magistério pelo baixo salário e foi ganhar dinheiro como escrivão de cartório. Nesse período, a senhora Fausta do Carmo é indicada para dar aula embora não fosse habilitada. Era de Porto Alegre. Vinha com a indicação de alta autoridade da capital do Estado, o Dr. Luiz da Silva Flores, com data de 20 de agosto de 1859. Afinal, a educação naqueles tempos ainda estava em fase embrionária.
No início da República, 1889, por exemplo, as estatísticas mostravam que havia no Rio Grande do Sul uma taxa de 85% de analfabetismo. Antes, o governo republicano de Bento Gonçalves e Domingos de Almeida ensaiava um arremedo de estrutura da educação, criando aulas públicas em muitas localidades do interior rio-grandense.
O primeiro Regulamento para as Escolas Municipais, em Itaqui, surgiu no governo do intendente Cel. Felipe Nery de Aguiar, através do Ato 54, de 26 de julho de 1898. Algumas nomeações começam a ser feitas antes desse período, trazendo professoras de fora de Itaqui para suprirem as escolas então criadas já que no município não havia pessoal qualificado. A senhora Clodomira Affonso de Miranda, em 19 de abril de 1888 requer trabalhar na cadeira mista do primário da cidade de Itaqui, vindo de Porto Alegre. Cita-se, também, idêntica situação, um pouco antes, da professora Castorina Barbosa de Miranda, esposa de Pedro Antonio de Miranda, sendo contratada como professora municipal. O professor Joaquim Pedro do Prado requer sua contratação em 8 de outubro de 1888.
Tempo de curiosidades! Encontramos um inquérito de 1939, em que um cidadão queixa-se ao prefeito, Dr.º Otávio Silveira, que determinada professora em determinada escola do interior de Itaqui aplicava castigos corporais em seus alunos, utilizando a palmatória e joelhos no milho. A palmatória da dita professora, acreditem, era de pau-ferro. Pobre gurizada! Exageros à parte, vivemos num tempo de liberdade, e isso é salutar, embora pouco disso tenha melhorado a educação. Não sei! Temos data show, pen drive, pincel atômico, videoaulas, teleconferência. E daí? A burrice campeia!
Sou filho e neto de professoras. Muito disso me orgulho. Minha mãe, Élvia Corrêa dos Santos, nomeada em 1949, no governo do Dr.º Togo Barbosa. Minha avó, Virgilina Corrêa dos Santos, uma das mais antigas nomeadas, entrando no magistério em 1924 e aposentando-se com 32 anos de efetivo exercício da função. Só posso me orgulhar disso e quero poder continuar honrando essa herança bonita que nos legaram. Ainda que sejamos pouco valorizados.

 (texto de nossa obra Agenda 150/2008, com alguns ajustes)

Arquiteto Pascual Minoggio

                                                 ARQUITETO PASCUAL MINOGGIO
Na vanguarda da modernidade itaquiense
Prof.º Paulo Santos
Itaqui precisa lembrar-se de seus antepassados, reverenciá-los com o respeito que merecem. Há tantas mentes brilhantes atuando no espaço territorial do velho Rincão da Cruz, algumas até no ostracismo, outras, na ribalta. E também algumas mentes de isopor se sobrepondo no apogeu da mediocridade.
O passado, da mesma forma, era assim: méritos e vulgaridades. Entre os primeiros, destacamos Pascoal Minoggio, uma das mentes mais fecundas do pretérito itaquiense, interagindo com as inovações estético-científicas.
Pascual Minoggio nasceu em Itaqui, no dia 0l de outubro de l874, sendo batizado em 21 de março de l875.  Seus pais eram Paulo Defendente Minoggio e Catharina Minoggio, naturais da Itália. Nos registros antigos de Itaqui, lá pelos idos de l893 a l895, Paschoal aparece como pedreiro. Mais tarde, estudou e diplomou-se em Arquitetura pela Escola de Belas Artes de Buenos Aires, Argentina. Muitas obras antigas de Itaqui tinham a assinatura de seu pai, Paulo Minoggio.
Retornando a sua terra, destacou-se como um hábil arquiteto, sendo dele a planta do Mercado Público Municipal, inaugurado em 7 de setembro de l909, na administração do intendente Tito Corrêa Lopes, na época uma das maiores obras da arquitetura local.
Traçou ainda o projeto para a construção do edifício do Clube Comercial da cidade de Uruguaiana, sendo até hoje um dos cartões-postais do turismo da fronteira-oeste. As construções mais antigas do centro de Itaqui têm a lavra do emérito arquiteto itaquiense, principalmente as que possuem belos alto-relevos e ornamentos, uma de suas marcas. No cemitério local, túmulos das famílias mais representativas da comunidade levam sua autoria com a marca do neoclássico no contorno das linhas arquitetônicas.
Alguns relatos atestam que Paschoal Minoggio teria instalado o primeiro cinema de Itaqui entre os anos de 1920 a 1922. Também em l922 nossa cidade já contava com a energia elétrica, obra essa que teve a contribuição decisiva do incansável engenheiro. Por muitos anos foi funcionário público, solicitando sua exoneração em 19 de abril de l929, como engenheiro municipal. Um dos intendentes resolve, em determinado período, indenizá-lo pelos seus serviços, pois que trabalhava muitas vezes sem receber nada.
Casou, em Itaqui, com Abrilina Fernandes Lima em l9l2. Do casal conhece-se, por informações, duas filhas: Zair Fernandes Minoggio, casada com Heitor Carlos Klein, e Glória Lima Minoggio, casada, nascida em l9l3. São conhecidos os seguintes irmãos: Arthur Minoggio e Ambrosina Minoggio Tatsch.
Há registro de que Pascual Minoggio assina visto na planta do Chalé dos Barbosa, do Cel. Tristão Pinto Barbosa e filhos, em 2  de fevereiro de 1910, não se sabendo se era o autor. Fazia parte, junto com o Dr.º Osvaldo Degrazia, da “A Construtora”, como um diretor-técnico.
O Jornal de Itaqui, edição de 9 de junho de l925 informa que Pascual tinha uma “estação de rádio” onde as pessoas se aglomeravam, atentas às novidades da época. Hoje temos TV, Internet, naquele tempo a mídia moderna em alta era o rádio.
Paschoal Minoggio, com destacada atuação no cenário público, faleceu em Porto Alegre, aos 68 anos, no mês de julho de l952. O poder público lhe conferiu uma homenagem, batizando uma importante artéria do perímetro urbano, de sentido oeste/leste, como – Rua Pascual Minoggio -, eternizando, assim, o reconhecimento do povo de Itaqui a seu incessante trabalho. Com essa lembrança são evocadas ações desse eminente arquiteto, responsável pelo advento da modernidade no espaço urbano de Itaqui, assim como sua inserção no fomento às novidades da tecnologia.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Padre José de Noronha Napoles Massa - Parte 3

PADRE JOSÉ DE NORONHA NÁPOLES MASSA – PARTE 3
Em História a finitude é uma palavra vaga – tudo o que se tem hoje pode mudar amanhã e o obscuro se torna transparente de um momento para o outro.
Escolhemos a personagem histórica vigário José de Noronha Nápoles Massa dada a natureza esplendorosa de dados e nuances de sua trajetória no  ideário espacial do passado itaquiense. Nossa cidade deve se orgulhar de ter um ser tão iluminado quanto o padre Massa. Inteligência única. Envolvimento extremado em várias ações.
Ao pesquisador, ou historiador, não cabe julgar. Sim, juntar os fragmentos pesquisados, colar as peças do mosaico e apresentar seu trabalho. O público que faça seu julgamento. O espaço terreno é o cenário para o descortínio das ações humanas. Por serem humanas, elas estão impregnadas de vícios e fragilidades. A santidade existe apenas no arcabouço de certas doutrinas.
Os homens são postos à prova quando pisam a crosta terrestre. A finitude os limita, mas a História os redime, enquanto homens, protagonistas ou não, mas homens em sua essência. Este introito busca situar Nápoles Massa nessa seara semântica.
Nas postagens anteriores (Parte 1 e 2), apresentamos um extrato da vida do padre José de Noronha Nápoles Massa em Itaqui. Seu nascimento na Bahia, vinda para o Rio Grande do Sul, designação para a catedral da Sé como cônego, suas tropelias, transferência para Piratinim, mais sobressaltos, Cruz Alta, São Borja, Itaqui, assassinato brutal. Sua vida daria um extraordinário romance.
O vigário Nápoles Massa foi assassinado, pelo filho adotivo, em 14 de novembro de 1890. Os dados novos dessa cronologia consegui-os através de cópia do Inventário do padre, Arquivo Público do RS, gentilmente copiados pelo amigo genealogista, Diego Leão Pufal, titular do excelente blog Antigualhas.
O padre morava no local onde hoje fica o prédio da antiga Farmácia Universal, quase diagonal aos Correios, esquina da Independência com Euclides Aranha. Essa casa pertencia à dona Antonia Lopes Loureiro, filha de Atanásio José Lopes, trucidado por Andresito Artigas em 1816. Dona Antonia morava próximo do Beco onde hoje situa-se a Câmara de Vereadores de Itaqui. Pois era dona da casa onde morava Nápoles Massa.
Ele teria entrado em 1882, terminando seus dias em 1890. Durante todo esse tempo, não pagou um aluguel sequer. Dona Antonia descontava com algum serviço da igreja. Exemplo: alguém que precisava pagar um casamento, ela descontava da dívida do padre. Isso aconteceu com algumas pessoas. Entre elas, estava um escravo. Os relatos antigos dão conta de que dona Antônia Loureiro era uma pessoa de extrema bondade. Hoje o beco é batizado com seu nome. Parece que a casa primitiva dela ainda mantém alguma estrutura naquela quadra frente à praça.
Por que não pagava? Não sabemos? Ou será que dona Antônia não cobrava?
Mas não ficou por aí! Padre Massa tinha uma obra para ser editada – A Gramática da Língua Portuguesa, lançada em 1888. Ele não tinha recursos para imprimi-la. Chegou até pedir dinheiro para a Maçonaria, da qual era membro. Quem emprestou o dinheiro para o padre? Quem?
- Dona Antonia Lopes Loureiro. Com todos os aluguéis sem pagar durante tanto tempo, essa extraordinária senhora ainda bancou a edição dessa obra, que é hoje uma raridade.
Bom! E ficou por aí? Que nada!
Quando Dona Antonia soube da morte do padre José de Noronha Nápoles Massa, procurou se informar se ele havia deixado algum dinheiro que pudesse ressarci-la. Nada! O inventário do padre acusou que na sua casa acharam somente uns cento e poucos réis e as despesas com o funeral passavam de duzentos.
E aí? Adivinharam? Dona Antonia Lopes Loureiro, esposa do Coronel Manduca Loureiro, mandou pagar todas as despesas do enterro do padre Massa.
Seu inventário traz uma relação de bens simples e caseiros, nenhum dinheiro, nada de casa, terreno ou campo. O padre era tido como pessoa muito boa e querida na  cidade, morreu pobre. Seus bens mais valiosos eram dois cavalos velhos e um burrinho.
Sua riqueza era seu conhecimento, sua cultura e saber exacerbado. Seu envolvimento com a comunidade.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Padre José de Noronha Nápoles Massa - Parte 2

PADRE JOSÉ DE NORONHA NÁPOLES MASSA – PARTE 2
As dubiedades de uma conduta: entre o sacro e o profano!

Prof.º Paulo Santos


O Jornal A Província, RJ, edição 277, de 4 de dezembro de 1890, p.1, estampava:
Por um seu filho adoptivo de nome José Soares de Noronha, foi assassinado em Itaquy, no Rio Grande do Sul, o padre Jose de Noronha Nápoles Massa, que ali era geralmente estimado.
O referido veículo detalha:
O padre Massa estava deitado quando ouviu bater á porta de sua casa. De fora seu filho pedia-lhe insistentemente que a abrisse.
Ao satisfazer esse pedido, o desgraçado sacerdote foi atirado ao chão por José de Noronha, que lhe deo duas punhaladas no peito.
O jornal fala que o mesmo ainda ferira gravemente outra pessoa e fora preso por um telegrafista, chamado Sílvio, que viera em socorro do padre.
O Jornal O Brasil, RJ, edição 204, de 5 de dezembro do mesmo ano, destacava:
Chegou-nos por telegrama a consternadora noticia de haver sido assassinado o vigário de Itaquy, reverendo padre José de Noronha Nápoles Massa, um dos mais ilustres sacerdotes que honrão o nosso clero.(...) e foi contra esse velho sacerdote afável, carinhoso, rodeado de consideração que as suas maneiras instintivamente despertarão, que armou-se um braço assassino, para dar-lhe a morte. (p.2)
O Jornal do Commercio, RJ, edição 331, de 27 de novembro, informava mais:
Foi assassinado em Itaquy o padre José de Noronha Nápoles Massa, que era geralmente estimado. Era homem erudito, foi professor de Latim em Porto Alegre, era tido como primeiro latinista do estado. O seu assassino foi preso.
O infrator fugira do local do crime, sendo perseguido, capturado e entregue à polícia local. Consta que teria sido amarrado a uma árvore e chicoteado pela força de segurança que o prendeu. Foi enviado para a Casa de Correção, em Porto Alegre. Condenado a 30 anos de prisão, findando seus dias na cadeia, em maio de 1891.
Os motivos desse bárbaro crime nunca vieram à tona. Ficaram as especulações. Dr.º Sany Silva, um entusiasta pesquisador “das antigas”, de saudosa memória, estudou muito este personagem. Chegou, inclusive, a ouvir que o mesmo envolvia-se em relacionamentos não compatíveis com a batina.
Que, por ilação, sua morte teria sido encomendada por algum marido cobrando suposto envolvimento do padre com a mulher daquele. Outros dizem que o crime fundamentou-se na índole perversa do filho adotivo.
Outros depoimentos orais, porém, colocam Nápoles Massa como uma pessoa de rasgados elogios – correto, piedoso, justo e honesto. Comovia-se facilmente frente ao sofrimento de alguém, chegando, inclusive, não raras vezes, a chorar.
As dubiedades sobre sua conduta ficarão no olvido da história porque não foram totalmente explicadas.
Era extremamente culto, dominando o Latim e exercendo o magistério dessa língua. Escreveu a “GRAMMATICA ANALYTICA DA LINGUA PORTUGUEZA”, editada em 1888. Obra que gastou 20 anos estudando e preparando, não dispondo de recursos pra editá-la, sendo ajudado por amigos para tal. Essa obra mereceu estudo acadêmico contemporaneamente. Consta que teria obras sacras queimadas em incêndio em sua casa.
“Era um espírito entusiasta por todas as grandes ideias”, por isso envolveu-se em múltiplos movimentos.
Participou da Revista Murmúrios do Guayba, de Porto Alegre, 1870.
Sócio do grupo Partenon Literário, Porto Alegre, 1868.
Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
Membro da Comissão Consultiva de Obras Públicas, Cruz Alta, 1859.
Criou e administrou um colégio particular em Porto Alegre, chamado Ginasio Porto-alegrense.
Fundou, também, escola particular em Cruz Alta.
 Foi secretário da Mesa Diretora dos trabalhos da Assembleia Provincial, em Porto Alegre, 1853.
Era maçom, participando da Loja Maçônica Filantropia, de Itaqui.
Em Itaqui, sua memória é reverenciada com uma rua de sentido Norte/Sul – Rua Nápoles Massa.
Itaqui pode ufanar-se de ter, no passado, o convívio de uma personalidade tão rica e tão controversa.
Ele transitou entre o sacro e o profano. Viveu intensamente e fez história.


Obs,; Por opção de pesquisa, muitas fontes não são citadas, guardando-me o direito de preservá-las para futuras publicações. Todas as transcrições são, por opção, textuais, como forma de reconhecer o estilo e o modo de expressar dos autores das fontes.








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