sábado, 3 de agosto de 2019

Casilha do Porto - estabelecimento de água e sonhos!


CASILHA DO PORTO – ESTABELECIMENTO DE ÁGUA E SONHOS
Prof.º Paulo Santos

“Eu já não sei se a graça
É o rio que passa
Pra ver a casilha
Ou é o tempo que passou
E a casilha ficou
Pra ver o rio passar”.

Com essa estrofe da singularíssima canção de Rubinaldo Messina Kulmann (“Eu, a casilha e o rio”), um dos mais fecundos compositores de Itaqui, autor da melodia que considero quase que um hino da nossa identidade fronteiriça, pois com estes versos faço referência a um dos prédios mais conhecidos do nosso tempo pretérito – a Casilha do Porto.
Muito tem se tem falado, erradamente, sobre a Casilha. Certa feita, foi publicada uma reportagem sobre Itaqui, num dos jornais da capital, onde dizia que a Casilha foi uma espécie de guarita, um observatório, um fortim, tendo participação, inclusive, até na Revolução Farroupilha. Mentira ou desconhecimento histórico? Cada um que julgue como aprouver.
Visão interna das colunas, um maciço de pedras
A Casilha nunca serviu a tais fins. Ela tem “apenas” 129 anos de existência. Em 22 de janeiro de 1890, justamente às 12 horas, no Paço da Câmara Municipal, no prédio, provavelmente onde está situada a prefeitura, o senhor José Maria Garcia (parece que um imigrante uruguaio), viera propor um contrato com a Intendência Municipal, na época comandada pelo Coronel Felipe Nery de Aguiar. Esse contrato previa a construção de um estabelecimento, no Porto, com máquina hidráulica para fornecimento de água potável aos itaquienses.
Para tanto, o município concedeu um terreno no referido Porto, medindo 30 m por 60 m, tendo o contratante direito a usá-lo por no mínimo 20 anos, não podendo ser usado para nenhum outro fim. Estas instalações comportariam uma caixa de água com aparelhos, motor e encanamentos para conduzir a água encanada no centro do rio e sua posterior distribuição aos fregueses. O preço combinado não poderia exceder a 20 réis por balde de 15 litros d´água.
foto do autor 
Não se sabe em que condições a água chegaria nas edificações. Tratada de alguma forma ou apenas em retirada do meio do rio e canalizada?
Os trabalhos para a fundação do estabelecimento, que hoje se conhece como Casilha do Porto, começaram em abril de 1890, tendo término previsto até janeiro de 1893. Não se têm notícia de que a obra durou tanto tempo assim para ser construída. A base do referido prédio é portentosa, resistindo às constantes cheias do rio Uruguai. A estrutura continua a mesma, a parte superior foi restaurada, mantendo o mesmo modelo.
Dessa “hidráulica”, a água seria destinada à caixa de água, construída em ferro, localizada ao lado de um dos portões laterais do Mercado, na travessa Domingos Lacroix. Daí era transportada para algumas casas particulares, principalmente do centro da cidade. Esse, pelo que se entende, era um privilégio de poucos. Aliás, comparar o passado ao presente não é mera coincidência, embora boa parte da sociedade tem acesso aos serviços mínimos. Tal serviço durou até 1932, quando foi instalado um sistema mais moderno de abastecimento urbano de água.
Esta Casilha serve para alimentar o imaginário do Rincão da Cruz, evocar suas raízes, passear pelas reminiscências, evocar tempos românticos e suscitar um reencontro com o passado mítico e sentimental de nossa terra, com os pilares (desta mesma Casilha), entretanto, bem cravados no chão da contemporanedade.
Então, a pseudo pergunta do texto de Rubinaldo, nos remete à divagação: - será que o rio passa para ver a casilha ou a casilha ficou para ver o rio passar?

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O Castelo do Vidal!


O Castelo do Vidal!
Matizes medievais e opulências aristocráticas num povoado fronteiriço.
Prof.º Paulo Santos

Um dos mais emblemáticos prédios da história itaquiense é, sem dúvida, o Castelo (ou Castelinho) do Vidal, na rua Osvaldo Aranha esquina com a Rodrigues Lima, margeando o rio Uruguai. Popularmente, tem esta conotação!
Entretanto, a construção tem origem na Família Barbosa, quando o patriarca, Coronel Tristão Pinto Barbosa encomenda a planta deste casarão, na época denominado Chalet dos Barbosa. Em 02 de fevereiro de 1910, o arquiteto Pascual Minoggio entrega o desenho do projeto que, segundo consta nos depoimentos de familiares, fora encomendado a um arquiteto de Buenos Aires.
O material veio boa parte da Argentina, via rio Uruguai, nas barcaças que também trouxeram portas, portalados, janelas, enlouçados, vidros, azulejos e móveis. Alguns desses elementos vieram da Espanha e da França. Não se sabe bem ao certo quais dos filhos de Tristão moraram neste local. Parece que a advogada Joaquina Pinto Barbosa teria residido um tempo antes de ir para Porto Alegre, assim como Manoel Pinto Barbosa. Em 1911, com as obras concluídas, podemos ver um magnífico postal do vistoso prédio e seus moradores.
Postal de 1911, O Chalet no esplendor de sua forma
A planta previa mais de uma sala, galeria, vestíbulos, banheiros, alguns dormitórios, despensa, porão, escritório e uma peça denominada Usina (talvez fosse para instalação dos comandos da rede elétrica), além de sacadas e um arremedo de torre. Na verdade, não era um castelo, apenas uma distante imitação ao formato de um chalet.
O grande caudilho político Assis Brasil, no auge de sua campanha para o governo estadual, hospeda-se neste chalet. Com o tempo, o povo foi chamando de Castelinho, denominação que perdura até hoje, apenas com o acréscimo do novo dono: Vidal!
Em 1918, o Castelinho fora comprado pelo Major Antônio Duarte Costa Vidal, juntamente  com 73 quadras de sesmaria em campos da fazenda Santa Maria, no 1.º distrito de Itaqui, na costa do Ibicuí, e mais quatro mil reses.
O Major Antônio Duarte da Costa Vidal era filho do Capitão de Mar e Guerra, Francisco Duarte da Costa Vidal, um dos primeiros comandantes da Flotilha do Alto Uruguai (1867) e de dona Manoela Dubal Vidal. Nasceu, conforme registro do padre José Coriolano de Sousa Passos, em 14 de outubro de 1867, embora algumas fontes tragam como 1872.
foto Major Antonio Vidal. (site de genealogia Geni)

Parece que teria vivido próximo dos noventa anos. Destacou-se na Campanha de Canudos, Pernambuco, em 1897, quando as tropas governistas aniquilaram com os rebeldes de Antônio Conselheiro, um visionário líder nordestino. Euclides da Cunha, com o seu magistral “Os Sertões”, disseca, com maestria, esse movimento, tratando da luta, do espaço territorial dos nordestinos em luta e a têmpera e a identidade do povo daquele lugar. Verdade seja dita – não foi apenas o sufocamento de uma insurreição. Foi um massacre, um verdadeiro massacre! Mas os heróis estão aí para serem sacralizados e os vencidos jazem sem voz!
Com o novo proprietário, o Castelinho  passa a ser chamado de Castelo ou Chalet do Vidal.
Referente aos dados pessoais e familiares do Major, não há muito rigor e clareza, por isso evito de expô-los, embora seja pacífico afirmar que passara por três casamentos.
Por volta de 1930, abandona Itaqui, indo residir em Pelotas. Lá, adquire um terreno em 1931 e manda construir um prédio com formato de castelo. Baseado em modelos de arquitetos uruguaios, desenha a planta e entrega a um construtor. A obra teria término em 1936, conhecida como o Castelinho da Quinze, situado na confluência da rua Quinze de Novembro com a Conde de Porto Alegre.
Castelinho da Quinze, em Pelotas (disponível em pu3yka.com.br)
Tinha 8 peças, garagens, salas de jogos e dependências para empregados nos porões, uma escada cilíndrica que levava até a torre. Teria sido habitado até próximo de 1964. Encontrava-se, há muitos anos, em adiantado estado de decomposição. Hoje, sinceramente, não sabemos de sua situação.
Quando morador de Pelotas, o Major Vidal era proprietário da Vila Matilde, estabelecimento pastoril no Uruguai, da Fazenda Santana, em Alegrete e do estabelecimento Santa Maria, na costa do Ibicuí, em Itaqui.
O Castelinho da Quinze viveu dias de glória, com recepções, recitais, cantores líricos apresentavam-se para a fina flor da sociedade pelotense.
Assim como o castelo de Itaqui, o Castelinho da Quinze recebeu e abrigou grandes autoridades da política regional e federal e outras personalidades sociais importantes da época. Ali pululam histórias fantasmagóricas e ou difusas.
Segundo informações orais de Pelotas, disponíveis num endereço eletrônico, consta que houve um crime no Castelinho. Um mordomo teria sido assassinado numa banheira. O medo começava a rondar as escuras repartições do casarão abandonado.
Mistérios! Silêncios!  Culpas! Carmas! Carmas?? Não, por ora, calma! Não entremos neste terreno nebuloso pois não nos cabe competência para tal.
E o Castelo do Vidal, em Itaqui, não foge à regra. Depoimentos orais também indicam que houve morte nos seus recintos. Morte estranha, omitida, relatos velados. Conteúdos da oralidade.
Depois, o abandono. Ruínas! Escuridão!
O Castelo do Vidal hoje em ruínas (disponível em www.itaquirs.com.br)
Almas penadas começam a habitar na escuridão do prédio!
Antes, a opulência e o poderio das clãs majoritárias da oligarquia local dominando aquele flamejante edifício. Durante um tempo, famílias em situação de vulnerabilidade e excluídas socialmente habitaram precariamente o Castelo. Agora, seres metamorfoseados em imagens são os inquilinos do local.
Destruição e penumbra!
Conversando com alunos de uma escola ao lado do Castelo, alguns me confidenciaram que várias vezes viram um senhor na janela dos fundos. Também visualizaram a forma de uma mulher nas janelas da frente e na sacada.
Do Castelo Vidal não restou quase nada. Paredes colossais em ruínas, telhado desabando, o mato tomando conta do terreno.
Lembranças. Ocasos!
No contorno medieval ficaram musgos e mofos. Das arcadas da frontaria, buracos e fendas.
E o Major Vidal, quem sabe, anda pelas janelas, agora sem a vaidade e o garbo dos flegmáticos tempos, procurando algo.....quem sabe....






sexta-feira, 5 de julho de 2019

Itaqui antes da emancipação.



Itaqui antes da emancipação.

Distantes tempos do “já lá vão!”
Prof.º Paulo Santos

As referências básicas da história de Itaqui estão diretamente ligadas ao processo luso. Isto é, conhecemo-la como uma possessão portuguesa, a partir de 1801 e incorporada à jurisdição de São Borja. Antes disso, pouco se sabe deste riquíssimo território histórico-afetivo.
Em 1837 tornou-se freguesia (distrito) da secular redução missioneira, São Francisco de Borja, a primeira do segundo ciclo, passando a 6 de dezembro de 1858 à categoria de município através do gesto importante do juiz pernambucano, Dr.º Hemetério José Velloso da Silveira, que propôs a emancipação.
Entretanto, Itaquy (antes com esta grafia), já era credora de uma história pregressa singular. Muitas referências existem anteriores ao processo emancipatório. Inclusive, num relatório das autoridades desta região, consta que foi montado um “tribunal” para julgar a culpabilidade, ou não, dos padres jesuítas no não-cumprimento do Tratado de Madrid, quando várias reduções se insurgiram e não quiseram entregar as possessões e migrarem para o outro lado do rio Uruguai. Dom Diogo de Salas foi designado a estabelecer um quartel em São Borja para formar novo inquérito da questão da participação dos missionários. Dessa forma, em 1759, na organização deste “tribunal”, foi “entrevistado” um índio guarani do povo de São João Batista, no “Pueblo de Itaquy”. Os jesuítas foram absolvidos.
Se houve menção a este nome é porque em algum lugar devia haver este povoado, já que o povo que administrava estas terras era a redução de Nuestra Señora de Mbororé e Acaraguá (La Cruz) no lado ocidental. Isso posto, Itaqui seria um povoado jesuítico-guarani em alguma parte do vasto rincão. E, como diriam os galegos, “já lá vão” 260 anos, embora não se encontre na bibliografia das fontes missioneiras nenhuma alusão a tal localidade. Ou poderia, quem sabe, ser algum erro de registro da autoridade que notificou, no papel, o ato.
Esta região era um patrimônio do povo de La Cruz, redução jesuítica do outro lado do Uruguai,  usada para criação de grandes rebanhos de gado, tudo organizado em postos, currais, capelas ao longo das imensas sesmarias itaquienses. Tanto que era denominado “rincão da Cruz”.
Após a retomada do território ao domínio português, em 1801, aconteceram algumas tentativas dos espanhóis em reaver tal possessão.
Em 1816, o cacique guarani Andresito Artigas invade a região de Itaqui pelo Passo de La Cruz, cruzando o rio Uruguai e entrando pela barra do Cambaí, na época este arroio era chamado de rio Itaquy. Este caudilho missioneiro aniquilou uma guarda comandada  pelo furriel Atanásio José Lopes, que teve seus comandados e parte de sua família assassinados pelos invasores na estância São João, de sua propriedade.
Nesse período, a localidade de Itaquy possuía apenas alguns ranchos organizados em torno de uma pequena casa comercial, que servia de base para o contrabando com a Argentina
E desse evento “já lá vão” 203 anos e apenas sabemos algo somente após a emancipação.
Em 1821 havia uma capela jesuítica, denominada Santa Maria, próxima ao rio Ibicuí com dois marcos de pedra com inscrições em espanhol e emblemas da Companhia de Jesus. Neste mesmo ano, forças espanholas atravessam o Ibicuí chegando até Tuparaí, também uma antiga capela jesuítica.
Ao longo do imenso rincão usado para manuseio das grandes manadas do provo cruzenho, havia pequenos postos, guardas e capelas. um pequeno rancho servia de espaço para a presença do ato religioso imposto pelo colonizador jesuíta. Eventualmente, algum padre da redução ministrava missa em alguma dessas capelas. Parece que nenhum restou para consubstanciar aquele período.
Temendo novas invasões, o comando da fronteira estabelece no mesmo ano dos eventos anteriores (1821) uma guarda sob o comando do Tenente Fabiano Pires de Almeida com 150 soldados. Formaram um acampamento próximo da barra do Cambaí. Com as constantes cheias do Uruguai, foi este acampamento transladado para o atual centro da cidade. Consta que ali estaria o embrião do futuro povoado itaquiense. Vieram famílias argentinas para o local e outros emigrados fugindo das guerras fronteiriças. E “já lá vão” 198 anos.
A partir de 1822, Itaqui começa a estabelecer um intercâmbio regular com o povo correntino de Curuzu Quatiá. Por esta rota, ingressava erva mate exportada para outros portos que margeavam o Uruguai.
Em 1828, o caudilho oriental Frutuoso Rivera invade Itaqui pelo Passo do Mariano Pinto, destruindo a guarda comandada por este capitão. E “já lá vão” 191 anos. E neste ano há informação de um destacamento naval, comandado pelo Capitão Justo Yegros, em Itaqui.
A partir de 1846, São Borja sofre um processo de decadência e todo o comércio da erva-mate  vinda do planalto rio-grandense migra para Itaqui tornando-o empório das exportações do produto. A rota, originada nos países do Prata desembocava em Itaqui, com produtos e bens de toda a sorte e pessoas de diferentes nacionalidades.
Nossa idiossincrasia formou-se desta mescla fronteiriça – um pouco de índio, português, espanhol, italianos e alemães.
Itaqui sobeja em história anterior ao termo de São Borja.
Tentamos mostrar esta faceta pouco conhecida de nosso “rincão da Cruz”, São Patrício de Itaqui, embora muito ainda esteja soterrado sob a poeira do passado.


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

La Cruz - intercâmbio; Festa Patronal e Encontro Tripartite.


LA CRUZ – Intercâmbio: Festa Patronal e Encontro Tripartite.
Pedras luminárias, fantasmas, túneis – mistérios do antigo Pueblo de la Cruz!
Prof.º Paulo Santos
Relógio solar de La Cruz - foto do autor

A cidade de La Cruz, província de Corrientes, Argentina, comemorou, dia 15/08, sua festa máxima – a Padroeira Nuestra Señora de la Assunción de Acaraguá y Mbororé.
Na oportunidade, o município aproveitou para sediar um Encontro Trinacional com autoridades dos 30 Povos Missioneiros.
Itaqui se fez representar pela Cia de Artes Sem Fronteira, através do belo trabalho sob o comando do professor Valtair Vasconcellos e seus bailarinos. Na oportunidade do dia 14/08, compareceram o professor Paulo Santos, pesquisador da história missioneira em Itaqui, professor Paulo Roberto da Silveira, Doutor em Ciências Humanas e coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Unipampa, professor Márcio Campos, da mesma Universidade, Campus Itaqui.
A Cia de Artes Sem Fronteiras produziu um extraordinário show sobre a temática missioneira misturando elementos da história jesuítico-guarani numa perspectiva moderna, culminando com a entrada triunfal da Virgem de Acaraguá y Mbororé, patrona da cidade, venerada de forma muito intensa pelo povo. Esta santa em madeira é egressa dos primeiros anos do povo cruzenho, sendo talhada a mando dos guaranis pela vitória dos mesmos contra os bandeirantes em 1641.
A arquiteta paraguaia Myriam Avila, num painel, explanou sobre “Un reencontro cultural para el desarrollo”, dentro do “3.º Encontro Trinacional de la Fe Missioneira”, enfatizando que era necessário que os povos dos países limítrofes missioneiros se envolvessem num ponto comum – a espiritualidade. Brasil, Argentina e Paraguai precisam formatar uma agenda de compromissos que caminhem no sentido de resgatar o ideal dos missioneiros: a vida em comunidade, a arte, o trabalho, a cultura e o espírito de fraternidade que unia esses povos. 
Prof.º Paulo Silveira, Prof.º Paulo Santos, arquiteta Myriam, integrante  do encontro, Rudi Alegre e  Valtair, da Cia.

Na mesma ocasião, o prof.º Paulo Santos falou do trabalho feito em Itaqui para resgatar a ideia de cidade missioneira, narrando o esforço do secretário Hamilton Berro, em 2008, junto com um abnegado grupo, do qual o professor participou, inaugurando no Parque Comendador Firmino Fernandes Lima uma escultura em pedra grês, tamanho natural, da cruz de Lorena. Pouco tempo depois, a mesma foi quebrada por vândalos, sendo substituída por outra em concreto com o mesmo formato.
Passar por La Cruz é passear pela história em movimento. Principalmente pela história do universo mítico-guarani-cristianizado. Um povo a qual nossa Itaqui estava subordinada enquanto território de criação de gado, o famoso Rincão da Cruz, antes do Tratado de Madri.
E para sacramentar esse ideário missioneiro houve a participação de Tope Manuel Cordolo, secretário de Turismo, verdadeira sumidade. Uma aula de história ao vivo em meio aos remanescentes do povo jesuítico de Nuestra Señora de Assunción de Acaraguá y Mbororé, a contemporânea La Cruz. A praça atual no mesmo local da primitiva redução, pedras talhadas com primor, colunas trabalhadas com requinte na pedra grês, pedras luminárias, fragmento da muralha da povoação.
Coluna de pedra da redução no local da atual praça da cidade
Estudiosos questionam a terminologia e uso das pedras luminárias, afirmando que elas não tinham o uso apregoado pela tradição popular. Tampouco há informação de que outros povos, de mesma raiz e modelo, usassem de sebo com a devida combustão, nestas pedras em formato de colunas, com o objetivo de iluminar as noites na praça das reduções.
Comitiva até da Alemanha costuma visitar frequentemente esta cidade histórica com pouco mais de 20 mil habitantes para ali sorver do conhecimento imaterial.
Instalados no centro histórico da cidade, micromuseus guardam a história dos antigos guaranis e dos seus preceptores missionários. 
Um pouco da estatuária missioneira preservada no museu local
Um pequeno sítio preserva o local onde estaria o forno que fabricava tijolos e telhas para o povo. Relatos de um túnel próximo a este sítio, descoberto quando funcionários cavavam para instalar a rede de esgoto cloacal da cidade.  Autoridades e arqueólogos foram chamados.
Olharam: - “ O furo era mais embaixo!”
Ou seja, parece que o túnel tinha uma extensão maior do que supunham. Aqui entram informações populares, críveis ou não, são informações populares, com o testemunho oral e a descrição sob o ponto de vista de quem  viu ou pensa que viu. Mandaram lacrar. Foi descoberta uma entrada para um espaço revestido de pedra abaixo do solo.
E o imaginário entra em campo. Populares dizem que os estudiosos mandaram lacrar porque ouviram sons muito estranhos vindos das profundezas daquele suposto túnel. E outros, mais afoitos, nos confidenciavam que este túnel sairia das imediações do forno da redução e iria até o rio Uruguai, atravessando este e entrando em Itaqui.
Só mesmo as obras e o universo atípico e atemporal do espaço jesuítico-guarani para permitir uma disgressão tão folclórica quanto esta. Temos muito ainda a aprender com nossos antepassados cruzenhos, dada nossa proximidade sentimental com este pueblo guarani.
Tomara que alguma carta de intenções seja idealizada por este Encontro Trinacional abençoado pela Virgem de Acaraguá y Mbororé.
Fragmento em madeira que fazia parte da porta de igreja da redução de La Cruz.





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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Hospital dos curandeiros umbandistas em Porto Alegre - 1957!


Hospital dos curandeiros umbandistas em Porto Alegre – 1957!
Brizola nega, Sartori não aceita. Vão se queixar para o bispo!
Prof.º Paulo Santos
Passeando pelos jornais antigos, ocorreu-me a curiosidade de saber o que acontecia no ano de meu nascimento, no dia e mês de 15 de setembro de 1957. Pois bem, encontrei na Hemeroteca Digital, um serviço da Biblioteca Nacional, on line, uma riquíssima notícia. Tratava-se de um veto do prefeito Leonel Brizola, de Porto Alegre a uma doação concedida pelos vereadores à União de Umbanda para a construção de um hospital.
 A polêmica foi grande!
Até um bispo entrou na jogada e enviou ofício ao nobre prefeito congratulando-se com o veto e manifestando a insatisfação da Igreja Católica por tamanha desfaçatez. Imaginem doar terreno para os macumbeiros?
Algo impensável numa sociedade ainda marcada pela submissão ao domínio católico, uma presença muito forte junto ao Estado, mesmo com todas as transformações.
Os vereadores concederam a autorização para o que o município de Porto Alegre fizesse a doação de um terreno na avenida Ipiranga com objetivo dos curandeiros umbandistas construírem um hospital. O prefeito Brizola vetou, mas foi voto vencido.
O Bispo, Dom Luiz Victor Sartori, coadjutor de Santa Maria, queixava-se de que houve espírito eleitoreiro por parte dos vereadores, inclusive cobrando que vários eram católicos. E termina dizendo que quando precisassem de votos que fossem pedir para os umbandistas, e não procurassem os católicos, que, segundo ele, eram amantes do verdadeiro progresso cultural, moral e espiritual.
Os batuqueiros, coitados, estavam em baixa, como via de regra, sempre estiveram na história religiosa desse país.
Leonel Brizola deu entrevista à imprensa, explicando o veto, dizendo que  tinha ideia de construir casas para os servidores municipais naquele local, mas iria respeitar a lei. Inclusive destacou que somente concederia a escrituração do terreno após ouvir todas as autoridades competentes.
Cita que ouviu de uma autoridade da área de que a construção de um hospital pelos batuqueiros invocaria o perigo de práticas condenáveis e de uma formação viciosa da função educativa. O preconceito contra essa doutrina era pesado.
O terreno foi concedido, não se sabe o final dessa história.
E como dizia o ditado – não gostou, vá se queixar ao bispo!
Nesse caso, o Bispo teve que engolir o disparate dos curandeiros umbandistas serem contemplados com um terreno para a construção de um hospital.
Será que houve lobby dos batuqueiros dentro da Câmara de Vereadores ou será que boa parte desses vereadores não eram lá muito católicos.
Coisas do passado recente. Respingos de ressentimentos, preconceitos, maniqueísmos, formação de cartéis religiosos, sei lá...algo havia. Sempre houve!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Futebol de bombachas na terra do Rincão da Cruz - 1979!


Futebol de bombachas na terra do Rincão da Cruz – 1979

Prof.º Paulo Santos
Foto - arquivo pessoal

              Nem sempre o resgaste histórico distancia-se muito de nosso tempo presente. Este é um caso. 39 anos atrás. Bem pertinho, mas um tempo pretérito!
Esta atração ocorreu em outubro de 1979, em Itaqui, no antigo Ginásio Bel-Forma, do então professor Paulo Viaro, também dono do Jornal Abertura, que assim noticiava o evento:
“Como toda a novidade (esta mereceu espaço no Fantástico), o Futebol de Bombachas foi uma das grandes atrações da abertura dos XV Jogos da Primavera. As duas equipes pertencentes ao CTG Rincão da Cruz.
A equipe do “Te arremanga e vem”, de camisa branca, lenço vernelho e bombacha preta, jogo com Paulo (Fausto), Luiz Antonio (José Antonio), Marcos (Cereja), Jair e Milton; esta equipe teve uma figura muito aplaudida pela torcida: o massagista Bebeto e seus “preparado”.
A equipe do “Te enrosca e cai”, de camisa azul-marinho, lenço branco e bombacha baia, jogo com: Luiz, Jaguaraçu, Nivaldo, Julio e Chico. O juiz da partida, que trajava camisa preta, lenço branco e bombacha tubiana, foi João Francisco Goulart, assessorado pelos bandeirinhas Libici e Florifausto, ambos trajados a rigor.
A 1.ª etapa terminou em 5 tentos a 2, favorecendo a equipe do “Te arremanga e vem”, dando chance à equipe jovem do “Te enrosca e cai”, de marcar 4 tentos, vencendo assim a partida por 6 x 5.
Este placar, porém, será modificado, pois ambas as equipes prometem uma nova apresentação no encerramento dos Jogos da Primavera, ocasião em que a equipe derrotada promete vir mais preparada, fisicamente, é claro.
(Èber Escobar- repórter especial ) Jornal Abertura – 12/10/1979 – Página 14.”
O futebol em si foi o que menos ocorreu. Valeu pela brincadeira, pela tentativa de inovar na abertura dos Jogos da Primavera.
Recebemos convite e montamos duas equipes do CTG, sendo compostas por assíduos frequentadores da quadra ao lado do Castelão, exageradamente ocupada por uma legião fanática de jogadores de grande e de nenhuma habilidade.
O autor desta postagem- Prof.º Paulo Santos, 2.º da direta para esquerda, em pé, fez parte da primeira etapa, fazendo inclusive gol, sendo ele o goleiro. E sofreu apenas dois gols. Segundo tempo, um “Tite” da vida trocou esse jogador e o time perdeu de 6 x 5 – justiça seja feita!
Alguns dos amigos na foto já deixaram essa vida, outros ainda continuam por aí: Carlos Cereja, componentes da família Goulart, falecido Bebeto. O hoje dinâmico Libici. Grande e fraterna lembrança de um tempo lindo há 39 anos!


quarta-feira, 11 de julho de 2018

La Cruz : o berço ancestral da formação de Itaqui


LA CRUZ: O BERÇO ANCESTRAL DA FORMAÇÃO DE ITAQUI

Prof.º Paulo Santos

Uma das evidências mais singulares de La Cruz é, sem dúvida, o seu relógio solar do tempo dos jesuítas.
Foto Relógio solar de La Cruz - disp, em www.taringa,net

Esse quadrante solar, como é conhecido, foi construído em 26 de março de 1730 e estava situado no pátio do antigo convento da redução. Essa peça jesuítica é uma das poucas sobreviventes testemunhas da barbárie praticada pelo comandante militar brasileiro Francisco das Chagas Santos, que na perseguição a Andrés Artigas, em 1817, resolveu aniquilar com os povos ocidentais do rio Uruguai, cumprindo ordens emanadas do General Marquês de Alegrete.
Conta a história de que grandes depósitos de ouro, prata e tapetes valiosos foram saqueados das igrejas de Japeju e La Cruz.
Exageros à parte, sobraram apenas dessa redução o relógio do sol e as pedras luminárias de La Cruz. Hoje, alguns remanescentes dessas pedras encontram-se na praça da cidade argentina que mantém o mesmo nome da secular redução ocidental. Eram colunas de pedra grés, bem lavradas, umas de boa estatura, outras baixas, que continham uma cavidade na parte superior onde era adicionado algum tipo de cera ou outro componente que provocava a combustão e essa chama iluminava o primitivo povo jesuítico de La Cruz. Povo esse do qual os índios do lado oriental do Uruguai, hoje cidade de Itaqui, pertenciam.
Pedras luminárias de La cruz. foto dispo. www. taringa, net.

Aqui ficava uma estância de criação de gado do povo cruzenho, com postos de vigilância, capatazes, com capelas e oratórios, o que era próprio da estrutura jesuítica de então.
Em La Cruz vamos encontrar um pouco das referências de nosso passado mais recôndito. O pouco que resta da arte missioneira bem pode demonstrar o que por aqui havia naquele período tão fértil da civilização sul-americana, onde os atores desse projeto social eram os índios guaranis, de raiz itaquiense, ainda que sob a batuta dos colonizadores.
Um pouco da brilhante estatuária jesuítica - guarani está preservada no Museu Paroquial da cidade de La Cruz.
São essas imagens que alimentavam o imaginário colonial-cristão daquela época, fazendo com que os índios de Japeju, La Cruz, Santa Ana( primitiva capela que originou Alvear) e Itaqui fossem segregados a uma mesma ideologia enquanto súditos que eram da Espanha, por um lado; de Portugal, por outro.
É de se crer que nas prováveis capelas de São Donato, Santo Cristo e Bororé, as estâncias conhecidas de Itaqui, então pertencente, na época, à La Cruz, essas imagens adornassem procissões, missas e prédicas dos curas da Companhia de Jesus aqui instalada.
Estivemos visitando La Cruz por mais de uma oportunidade e constatamos o quanto tem essa cidade ainda para nos ensinar quanto a nossas raízes missioneiras.
Quando Itaqui está prestes a completar 160 anos de emancipação política, sua idade, no entanto, é remanescente ao período guarani.
Paredes seculares com as pedras jesuíticas de La Cruz - www.taringa.net

Para entender a nossa gênese, precisamos transcender ao universo mítico - guarani, respaldado, é claro, pela cultura jesuítico-missioneira colonial. Num mundo virtualmente informatizado, nossas impressões digitais estão impressas na pedra grés dos vestígios arqueológicos da nossa vizinha “irmana ciudad de La Cruz “.
Esse é o estudo que urge acontecer contemporaneamente.

(Este texto faz parte de nossa obra AGENDA 150, 2008)


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Genealogia do Dr.º Otávio d' Avila


GENEALOGIA DO DR.º OTAVIO D’ AVILA
Advogado, juiz, deputado provincial e intendente de Itaqui.RS
Pesquisa: Prof;º Paulo Santos
1.      Manuel d’ Avila Rosa – Natural de Velas.Ilha São Jorge. Açaores, PORT
c.c.
Isabel Maria – Natural Santo amaro. São Roque do Pico, Açores, PORT
Pais de:
1.1.Manuel d’ Avila Rosa (MANUEL D’ AVILA/ISABEL MARIA)
Nascido: Rio Grande,RS, cerca de 1756. Falecido: 28/03/1844, Piratini, RS
c.c.
Francisca de Paula Silva
Pais de:
1.1.1.      Francisco Antonio d’ Avila (MANOEL D’ AVILA ROSA/FRANCISCA DE PAULA SILVA)
Falecido: 20/09/1839, a bordo do navio Presiganga, prisioneiro rebelde na Revolução Farroupilha
c.c.
Anna Francisca das Chagas. Falecida.: 1866, Jaguarão, RS
Pais de:
1.1.1.1.Henrique Francisco d’ Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS)
Nascido: 31.08.1833, Herval, RS. Falecido.: 05.06.1903, Porto Alegre.
Senador, presidente das províncias do Ceará e R. Grande do Sul.
c.c.
Maria Faustina Gonçalves Netto- Nascida: 1843, Jaguarão, RS, sobrinha 2ª do General Bento Gonçalves, filha e Rafael Souza Netto e de Barbara Leonor Gonçalves
Conselheiro Henrique Francisco d' Avila -Presidente das províncias do Ceará e rio Grande do sul - imagem Wikipedia

Pais de;
1.1.1.1.1.      Octavio d’ Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO),  Nascido: 20.081877, Porto Alegre, Falecido: 22.07.1920, Itaqui, RS, c.c. Onfale Palmeiro d’ Avila, nascida 06.05.1886, falecida 24.07.1916, Itaqui, RS.
Dr.º Octavio d' Aila- Advogado, deputado, juiz e intende de Itaqui. imagem blog Sangue Palmeiro

Pais de:
1.1.1.1.1.1.Conceição Palmeiro d’ Avila, nasc.1907, c.c. Nestor Nunes Dias;
1.1.1.1.1.2. Luiza Palmeiro d’ Avila, nasc. 1907, c.c. Henrique Bertasso;
1.1.1.1.1.3. Eunice Palmeiro d’ Avila , nasc. 1910, c.c. José Arthur de Carvalho Kós;
1.1.1.1.1.4. Henrique Palmeiro d’ Avila (Coti) – Coronel;
1.1.1.1.1.5. Dácio Palmeiro d’ Avila;
1.1.1.1.1.6. Lygia Pameiro d’ Avila(Ninon) c.c. Dr. Guillardo Figueiredo;
1.1.1.1.1.7. Flavio Palmeiro d’ Avila.

1.1.1.1.2.      Teodora d’ Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO), nasc. 01.07.1874, c.c. Pedro Palmeiro (f. Amancio Palmeiro0
Pais de:
1.1.1.1.2.1.Marcinia d’ Avila Palmeiro;
1.1.1.1.2.2. Luiza d’ Avila Palmeiro (Lisoca);
1.1.1.1.2.3. Faustina d’ Avila Palmeiro.

1.1.1.1.3.      Henrique de Avila Junior (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO),falecido: 1905, Engenheiro militar, c.c. Jacyra Saldanha de Avila.
Pais de:
1.1.1.1.3.1.Vasco Henrique de Avila- foi membro do Tribunal Regional do RS;
1.1.1.1.3.2. Luiz Avila – Ator;

1.1.1.1.4.      Stella Netto d’ Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO), c.c. Gisusepe Bertasso;
1.1.1.1.5.      Maria da Conceição Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO),  c.c. Dr.º Manoel Pedro Vilaboim, SP;

1.1.1.2.Francisco Antonio d’ Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS) , Dr.º Medicina, formado no RJ, por volta de 1860;
1.1.1.3.José Maria Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS)),formado em Letras, Juiz distrital em Jaguarão, falecido 09/08/1916;
1.1.1.4. Maria do Carmo d’  Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS), casada;
1.1.1.5.Anna de Avila, Baronesa de Candiota (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS) c,.c, Luis Gonçalves de Chagas, Barão de Candiota;
Pais de:
1.1.1.5.1.Januario Gonçalves das Chagas, nasc: 1848;
1.1.1.5.2. Luís Gonçalves das Chagas;
1.1.1.5.3. Perpetua Gonçalves das Chagas;
1.1.1.5.4. Francisco Gonçalves das Chagas;
1.1.1.5.5. João Batista das Chagas;
1.1.1.5.6. Emilia Gonçalves das Chagas.

1.1.1.6.Antonio Francisco d’ Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS) - nascido 1839, falecido 1911, Pelotas;

1.1.2.      Florisbelo Antonio d’ Avila (MANOEL D’ AVILA ROSA/FRANCISCA DE PAULA SILVA), Tenente-Coronel comandante da Guarda Nacional de Jaguarão, RS;
1.1.3.      Sebastião Antonio d’ Avila ( MANOEL D’ AVILA ROSA/ FRANCISCA DE PAULA SILVA).


OBSERVAÇÃO; Acréscimos ou correções serão bem vindos. 
General Bento Gonçalves- tio de Maria Faustina, mãe do Dr. Octavio d' Avila


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