quarta-feira, 25 de julho de 2018

Futebol de bombachas na terra do Rincão da Cruz - 1979!


Futebol de bombachas na terra do Rincão da Cruz – 1979

Prof.º Paulo Santos
Foto - arquivo pessoal

              Nem sempre o resgaste histórico distancia-se muito de nosso tempo presente. Este é um caso. 39 anos atrás. Bem pertinho, mas um tempo pretérito!
Esta atração ocorreu em outubro de 1979, em Itaqui, no antigo Ginásio Bel-Forma, do então professor Paulo Viaro, também dono do Jornal Abertura, que assim noticiava o evento:
“Como toda a novidade (esta mereceu espaço no Fantástico), o Futebol de Bombachas foi uma das grandes atrações da abertura dos XV Jogos da Primavera. As duas equipes pertencentes ao CTG Rincão da Cruz.
A equipe do “Te arremanga e vem”, de camisa branca, lenço vernelho e bombacha preta, jogo com Paulo (Fausto), Luiz Antonio (José Antonio), Marcos (Cereja), Jair e Milton; esta equipe teve uma figura muito aplaudida pela torcida: o massagista Bebeto e seus “preparado”.
A equipe do “Te enrosca e cai”, de camisa azul-marinho, lenço branco e bombacha baia, jogo com: Luiz, Jaguaraçu, Nivaldo, Julio e Chico. O juiz da partida, que trajava camisa preta, lenço branco e bombacha tubiana, foi João Francisco Goulart, assessorado pelos bandeirinhas Libici e Florifausto, ambos trajados a rigor.
A 1.ª etapa terminou em 5 tentos a 2, favorecendo a equipe do “Te arremanga e vem”, dando chance à equipe jovem do “Te enrosca e cai”, de marcar 4 tentos, vencendo assim a partida por 6 x 5.
Este placar, porém, será modificado, pois ambas as equipes prometem uma nova apresentação no encerramento dos Jogos da Primavera, ocasião em que a equipe derrotada promete vir mais preparada, fisicamente, é claro.
(Èber Escobar- repórter especial ) Jornal Abertura – 12/10/1979 – Página 14.”
O futebol em si foi o que menos ocorreu. Valeu pela brincadeira, pela tentativa de inovar na abertura dos Jogos da Primavera.
Recebemos convite e montamos duas equipes do CTG, sendo compostas por assíduos frequentadores da quadra ao lado do Castelão, exageradamente ocupada por uma legião fanática de jogadores de grande e de nenhuma habilidade.
O autor desta postagem- Prof.º Paulo Santos, 2.º da direta para esquerda, em pé, fez parte da primeira etapa, fazendo inclusive gol, sendo ele o goleiro. E sofreu apenas dois gols. Segundo tempo, um “Tite” da vida trocou esse jogador e o time perdeu de 6 x 5 – justiça seja feita!
Alguns dos amigos na foto já deixaram essa vida, outros ainda continuam por aí: Carlos Cereja, componentes da família Goulart, falecido Bebeto. O hoje dinâmico Libici. Grande e fraterna lembrança de um tempo lindo há 39 anos!


quarta-feira, 11 de julho de 2018

La Cruz : o berço ancestral da formação de Itaqui


LA CRUZ: O BERÇO ANCESTRAL DA FORMAÇÃO DE ITAQUI

Prof.º Paulo Santos

Uma das evidências mais singulares de La Cruz é, sem dúvida, o seu relógio solar do tempo dos jesuítas.
Foto Relógio solar de La Cruz - disp, em www.taringa,net

Esse quadrante solar, como é conhecido, foi construído em 26 de março de 1730 e estava situado no pátio do antigo convento da redução. Essa peça jesuítica é uma das poucas sobreviventes testemunhas da barbárie praticada pelo comandante militar brasileiro Francisco das Chagas Santos, que na perseguição a Andrés Artigas, em 1817, resolveu aniquilar com os povos ocidentais do rio Uruguai, cumprindo ordens emanadas do General Marquês de Alegrete.
Conta a história de que grandes depósitos de ouro, prata e tapetes valiosos foram saqueados das igrejas de Japeju e La Cruz.
Exageros à parte, sobraram apenas dessa redução o relógio do sol e as pedras luminárias de La Cruz. Hoje, alguns remanescentes dessas pedras encontram-se na praça da cidade argentina que mantém o mesmo nome da secular redução ocidental. Eram colunas de pedra grés, bem lavradas, umas de boa estatura, outras baixas, que continham uma cavidade na parte superior onde era adicionado algum tipo de cera ou outro componente que provocava a combustão e essa chama iluminava o primitivo povo jesuítico de La Cruz. Povo esse do qual os índios do lado oriental do Uruguai, hoje cidade de Itaqui, pertenciam.
Pedras luminárias de La cruz. foto dispo. www. taringa, net.

Aqui ficava uma estância de criação de gado do povo cruzenho, com postos de vigilância, capatazes, com capelas e oratórios, o que era próprio da estrutura jesuítica de então.
Em La Cruz vamos encontrar um pouco das referências de nosso passado mais recôndito. O pouco que resta da arte missioneira bem pode demonstrar o que por aqui havia naquele período tão fértil da civilização sul-americana, onde os atores desse projeto social eram os índios guaranis, de raiz itaquiense, ainda que sob a batuta dos colonizadores.
Um pouco da brilhante estatuária jesuítica - guarani está preservada no Museu Paroquial da cidade de La Cruz.
São essas imagens que alimentavam o imaginário colonial-cristão daquela época, fazendo com que os índios de Japeju, La Cruz, Santa Ana( primitiva capela que originou Alvear) e Itaqui fossem segregados a uma mesma ideologia enquanto súditos que eram da Espanha, por um lado; de Portugal, por outro.
É de se crer que nas prováveis capelas de São Donato, Santo Cristo e Bororé, as estâncias conhecidas de Itaqui, então pertencente, na época, à La Cruz, essas imagens adornassem procissões, missas e prédicas dos curas da Companhia de Jesus aqui instalada.
Estivemos visitando La Cruz por mais de uma oportunidade e constatamos o quanto tem essa cidade ainda para nos ensinar quanto a nossas raízes missioneiras.
Quando Itaqui está prestes a completar 160 anos de emancipação política, sua idade, no entanto, é remanescente ao período guarani.
Paredes seculares com as pedras jesuíticas de La Cruz - www.taringa.net

Para entender a nossa gênese, precisamos transcender ao universo mítico - guarani, respaldado, é claro, pela cultura jesuítico-missioneira colonial. Num mundo virtualmente informatizado, nossas impressões digitais estão impressas na pedra grés dos vestígios arqueológicos da nossa vizinha “irmana ciudad de La Cruz “.
Esse é o estudo que urge acontecer contemporaneamente.

(Este texto faz parte de nossa obra AGENDA 150, 2008)


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Genealogia do Dr.º Otávio d' Avila


GENEALOGIA DO DR.º OTAVIO D’ AVILA
Advogado, juiz, deputado provincial e intendente de Itaqui.RS
Pesquisa: Prof;º Paulo Santos
1.      Manuel d’ Avila Rosa – Natural de Velas.Ilha São Jorge. Açaores, PORT
c.c.
Isabel Maria – Natural Santo amaro. São Roque do Pico, Açores, PORT
Pais de:
1.1.Manuel d’ Avila Rosa (MANUEL D’ AVILA/ISABEL MARIA)
Nascido: Rio Grande,RS, cerca de 1756. Falecido: 28/03/1844, Piratini, RS
c.c.
Francisca de Paula Silva
Pais de:
1.1.1.      Francisco Antonio d’ Avila (MANOEL D’ AVILA ROSA/FRANCISCA DE PAULA SILVA)
Falecido: 20/09/1839, a bordo do navio Presiganga, prisioneiro rebelde na Revolução Farroupilha
c.c.
Anna Francisca das Chagas. Falecida.: 1866, Jaguarão, RS
Pais de:
1.1.1.1.Henrique Francisco d’ Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS)
Nascido: 31.08.1833, Herval, RS. Falecido.: 05.06.1903, Porto Alegre.
Senador, presidente das províncias do Ceará e R. Grande do Sul.
c.c.
Maria Faustina Gonçalves Netto- Nascida: 1843, Jaguarão, RS, sobrinha 2ª do General Bento Gonçalves, filha e Rafael Souza Netto e de Barbara Leonor Gonçalves
Conselheiro Henrique Francisco d' Avila -Presidente das províncias do Ceará e rio Grande do sul - imagem Wikipedia

Pais de;
1.1.1.1.1.      Octavio d’ Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO),  Nascido: 20.081877, Porto Alegre, Falecido: 22.07.1920, Itaqui, RS, c.c. Onfale Palmeiro d’ Avila, nascida 06.05.1886, falecida 24.07.1916, Itaqui, RS.
Dr.º Octavio d' Aila- Advogado, deputado, juiz e intende de Itaqui. imagem blog Sangue Palmeiro

Pais de:
1.1.1.1.1.1.Conceição Palmeiro d’ Avila, nasc.1907, c.c. Nestor Nunes Dias;
1.1.1.1.1.2. Luiza Palmeiro d’ Avila, nasc. 1907, c.c. Henrique Bertasso;
1.1.1.1.1.3. Eunice Palmeiro d’ Avila , nasc. 1910, c.c. José Arthur de Carvalho Kós;
1.1.1.1.1.4. Henrique Palmeiro d’ Avila (Coti) – Coronel;
1.1.1.1.1.5. Dácio Palmeiro d’ Avila;
1.1.1.1.1.6. Lygia Pameiro d’ Avila(Ninon) c.c. Dr. Guillardo Figueiredo;
1.1.1.1.1.7. Flavio Palmeiro d’ Avila.

1.1.1.1.2.      Teodora d’ Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO), nasc. 01.07.1874, c.c. Pedro Palmeiro (f. Amancio Palmeiro0
Pais de:
1.1.1.1.2.1.Marcinia d’ Avila Palmeiro;
1.1.1.1.2.2. Luiza d’ Avila Palmeiro (Lisoca);
1.1.1.1.2.3. Faustina d’ Avila Palmeiro.

1.1.1.1.3.      Henrique de Avila Junior (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO),falecido: 1905, Engenheiro militar, c.c. Jacyra Saldanha de Avila.
Pais de:
1.1.1.1.3.1.Vasco Henrique de Avila- foi membro do Tribunal Regional do RS;
1.1.1.1.3.2. Luiz Avila – Ator;

1.1.1.1.4.      Stella Netto d’ Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO), c.c. Gisusepe Bertasso;
1.1.1.1.5.      Maria da Conceição Avila (HENRIQUE FRANCISCO D’ AVILA/FAUSTINA GONÇALVES NETTO),  c.c. Dr.º Manoel Pedro Vilaboim, SP;

1.1.1.2.Francisco Antonio d’ Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS) , Dr.º Medicina, formado no RJ, por volta de 1860;
1.1.1.3.José Maria Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS)),formado em Letras, Juiz distrital em Jaguarão, falecido 09/08/1916;
1.1.1.4. Maria do Carmo d’  Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS), casada;
1.1.1.5.Anna de Avila, Baronesa de Candiota (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS) c,.c, Luis Gonçalves de Chagas, Barão de Candiota;
Pais de:
1.1.1.5.1.Januario Gonçalves das Chagas, nasc: 1848;
1.1.1.5.2. Luís Gonçalves das Chagas;
1.1.1.5.3. Perpetua Gonçalves das Chagas;
1.1.1.5.4. Francisco Gonçalves das Chagas;
1.1.1.5.5. João Batista das Chagas;
1.1.1.5.6. Emilia Gonçalves das Chagas.

1.1.1.6.Antonio Francisco d’ Avila (FRANCISCO ANTONIO D’ AVILA/ANNA FRANCISCA DAS CHAGAS) - nascido 1839, falecido 1911, Pelotas;

1.1.2.      Florisbelo Antonio d’ Avila (MANOEL D’ AVILA ROSA/FRANCISCA DE PAULA SILVA), Tenente-Coronel comandante da Guarda Nacional de Jaguarão, RS;
1.1.3.      Sebastião Antonio d’ Avila ( MANOEL D’ AVILA ROSA/ FRANCISCA DE PAULA SILVA).


OBSERVAÇÃO; Acréscimos ou correções serão bem vindos. 
General Bento Gonçalves- tio de Maria Faustina, mãe do Dr. Octavio d' Avila


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Caçada de tigre! Bala benta no defunto! Pau no paralítico!


Caçada de tigre! Bala benta no defunto! Pau no paralítico!
PODE ISSO, ARNALDO?
O hilário e o pitoresco no Itaqui Antigo
Prof.º Paulo Santos
Como é gostoso mexer nos gravetos do passado. Tanta coisa curiosa e engraçada brota. Assopra-se e as brasas se avivam. Quero resgatar algumas dessas reminiscências pitorescas e hilárias à luz de nosso tempo. Muitas, ligadas à minha genealogia.
Por exemplo, Ismael Floriano Machado Fagundes, rico estancieiro e chefe de uma família importante do século passado itaquiense, teria, certa feita, desferido um tiro numa pessoa de nome Tastu, ou algo semelhante, com uma bala de prata quando este indivíduo já era cadáver. Uma bala benzida pelo padre, famosíssimo, Leon Blondet, objetivando livrar o defunto da possessão demoníaca. E o tiro deveria ser no coração. O dito cujo veio para Itaqui por volta de 1903, trazido por Ismael Floriano. E nas noites de lua cheia, creiam, virava lobisomem. Este belo enredo quase que folclórico foi-nos passado pelo artista e pesquisador da terra, Jorge Vômero, quando o ajudávamos na montagem de sua obra “Da Casa Grande do Tempo”, infelizmente não editada.
O pai desse Ismael, José Floriano Machado Fagundes, tinha, pelos lados do Santiago do Boqueirão, pelos idos de 1860 a 1880, o hobby de caçar tigre. Depoimento de um tio nosso, confirma que o mesmo conservava em sua estância uma matilha de 40 cães tigreiros. Esses eram utilizados na caçada. Eles localizavam o felino e o encurralavam para um local onde o caçador pudesse alvejá-lo. O interessante dessa narrativa é que José Floriano repetia ao grupo que o apoiava na caçada(inclusive escravos) – nenhum poderia demonstrar medo – o tigre sempre percebia!
O pai de José, o Tenente de Milícias Floriano Machado Fagundes, perdeu a vida quando sua fazenda foi invadida por uns correntinos. Alguns foram seus peões e estavam ali para um acerto de contas. Não houve acerto e Floriano e dois escravos investiram contra os mesmos sendo assassinado, em 1848, num local próximo do Bom Retiro, na época pertencia a São Borja. A esposa de Floriano veio em socorro do marido e trazia uma santa na mão. Um dos bandidos desferiu um golpe forte de adaga contra ela, não acertando de cheio, pois a lâmina pegou na santa de madeira, livrando-a da morte certa. Até hoje, os descendentes dessa família, pelo lado Palmeiro, guardam esta relíquia onde se observa a falha, na mão direita, vide foto,  produzida pelo corte.
Imagem da santa mutilada, família Palmeiro/Floriano do blog Sangue Palmeiro

Dois tios-avôs do ramo Silveira, lado paterno, quando meninos eram obrigados a vestir roupas de meninas. Segundo a fonte ouvida, isso fazia parte de uma promessa firmada por seus pais, num tempo de sete anos. Havia, inclusive, fotos comprovando. Hoje seriam ridicularizados e discriminados duramente.
Outro ascendente, Mathusalem do Nascimento Correa, foi preso em 1920 por ferir com arma de fogo a outro elemento. O mesmo, seis anos atrás, já como cabo do Exército, junto a outro praça atacaram e surraram a um paralítico de sobrenome Borgia, tirando-lhe o chapéu e o revólver. Imaginem se não fosse paralítico?!
Um bisavô do ramo materno, Ismael Leão de Mello, era tido como homeopata, recebendo e atendendo muitas pessoas em sua casa e receitando remédios da Homeopatia. Tinha diversos livros sobre o assunto. Dele herdo o mister de registrar o passado. Ele possuía um caderno onde constavam os acontecimentos, datas e demais informações de seus parentes. Infelizmente, sobrou somente a primeira folha manuscrita desse livro, que guardo com carinho. Hoje assumi a tarefa de seguir esse legado, mantendo em meus arquivos boa parte da história de minha família.
No ano de 1897, meu trisavô paterno, Augusto Silveira Dutra, foi atacado, em sua fazenda, por uma “partida de salteadores” com os rostos pintados de vermelho e preto. Augusto resistiu, com os seus, conseguindo ferir um dos invasores. Na fuga, os companheiros resolveram eliminá-lo para que não os entregassem. A coisa ficou feia! O estancieiro, junto a outros homens da família, atirava nos bandidos e pedia que as mulheres municiassem as armas, enquanto outra turma fervia água e colocava em panelões para atirar neles caso invadissem a sede. Augusto, no furor da peleia, gritava: não se entreguemo pra bandido! Como resultado dessa refrega ficou com uma perna entrevada.
A esposa de Augusto, dona Clarinda Bertulina de Medeiros Dutra, costumava contar a todos que havia um grande “enterro” perto da casa onde moravam, próximo a umas figueiras. Isso ficava no Passo da Cachoeira, lugar de balas, água fervente e moedas de outro enterradas.
Após o incidente na fazenda de Augusto Dutra, o Coronel Felipe Nery de Aguiar, então intendente de Itaqui na época, providenciou num policial do município para guarnecer por um tempo a propriedade invadida pelos bandidos. Felipe Nery e Augusto eram primos-irmãos.
Em setembro de 1920, um período em que Itaqui estava em polvorosa, em certa altura da rua Rafael Pinto Bandeira, outro ascendente meu, Fructo do Nascimento Correa, um pouco tomado das “bebidas espirituosas” deu um tiro a esmo, num botequim daquela rua. Coisa boba, brincadeirinha da época! Foi admoestado por um sargento da brigada ali chamado. Fructo não gostou e “tacou bala” no brigadiano. Não acertando de início, entraram em luta corporal. O botequineiro tentou apartar. Pra quê! Não deu certo – os dois foram alvejados por Fructo, vindo a óbito o sargento da Brigada Militar. Qualquer coisinha e a bala comia frouxa!
Como se viu, a desordem, as correrias e as valentias campeavam a esmo! Na verdade, o presente nada mais é do que um simulacro do passado. Tem apenas uma roupagem nova. Hoje gangues poderosas dinamitam bancos e comandam comunidades inteiras. Bêbados inconsequentes matam milhares no trânsito e nos bares da vida. Alguns ainda conseguem fazer o bem. São poucos, mas necessários.
E o imaginário coletivo continua se processando na vida cotidiana.
Respondendo a pseudopergunta do título: -  pode, hoje tudo pode!
Antes, então, nem se fala!


terça-feira, 8 de maio de 2018

A resolução dos próceres republicanos.


A RESOLUÇÃO DOS PRÓCERES REPUBLICANOS
Meados de 1892 – o alvorecer da Revolução Federalista.
Prof.º Paulo Santos
No dia 13 de março de 1892 reuniram-se 16 chefes republicanos na cidade argentina de Cáceros, província de Corrientes, e decidiram empreender ação revolucionária contra o governo do estado rio-grandense de então. Os componentes lavram em ata que decidem optar “a força pela força”, fazer a revolução para restaurar a ordem pública que acreditavam afrontada.
Para a turma de Cáceros, era ponto pacífico de que o Rio Grande estava entregue a um governo anárquico, inconstitucional e criminoso. Assim acreditavam no furor da paixão partidária. Tal situação foi corroborada quando o Marechal Deodoro dissolveu o Congresso Nacional, instando à anarquia, segundo essa frente,  resultando o abandono do cargo pelo presidente da província.
Eram os republicanos contra os federalistas do Dr. Gaspar Silveira Martins.
Dr.º Gaspar Silveira Martins. Ilustração retirada de www.wikiwand.com

Nessa reunião combinou-se que os armamentos destinados aos corpos provisórios a serem constituídos em São Borja, São Luís Gonzaga, Uruguaiana, Livramento e Itaqui deveriam chegar aos respectivos depósitos até o dia 30 de abril de 1892.
Uruguaiana e Livramento se comprometeram a dar mil homens armados de carabinas para a revolução.
Pinheiro Machado, por São Luís Gonzaga, prometeu trezentos homens.
Cel. Pinheiro Machado - www.google.com.br

Itaqui, representada pelo Coronel Felipe Nery de Aguiar, mais os coronéis Fermino Fernandes Lima e Horácio Fernandes dariam também trezentos combatentes devidamente armados. São Borja, por Aparício Mariense, acompanhou Itaqui no mesmo número de homens.
Cel. Felipe Nery de Aguiar, de Itaqui - vivasaogabriel.blospot.com.br

São eles os “próceres republicanos”, tratamento que a imprensa da época lhes dava, os mesmos que assinam a histórica ata de Cáceros:
1, Hipolito A. Ribeiro;
2. Francisco Rodrigues Lima;
3. Evaristo Teixeira do Amaral;
4. Fermino Fernandes Lima;
5. Felipe Aguiar;
6. Honorato Cunha;
7. Manoel do Nascimento Vargas;
8. Antonio Duarte Jardim;
9. Antonio Cidade;
10. Ataliba J. Gomes;
11. João Francisco Pereira de Souza;
12. Horácio Fernandes;
13. José Gomes Pinheiro Machado;
14. Adolpho Martins de Menezes;
15. Gabriel Portugal;
16. Aparício da Silva Mariense.
Dessa relação, importante ressaltar as pessoas ligadas a Itaqui. Tínhamos o Cel. Fermino Fernandes Lima, filho do famoso Cel. Antonio Fernandes Lima; o Cel. Felipe Nery de Aguiar, líder militar e intendente de Itaqui; Horácio Fernandes, da família Fernandes Lima; Manoel Vargas, pai do futuro presidente da República, Dr.º Getúlio Vargas e Aparício Mariense, célebre personalidade de São Borja.
Cinco brigadas foram criadas já em junho de 1892.
A 2.ª Brigada estava sob o comando do Cel. Fermino Fernandes Lima, composta de elementos fornecidos pelos municípios de Itaqui, São Francisco de Assis, Uruguaiana, Quaraí e Livramento.
Cel. Antonio Fernandes Lima, pai do Cel. Fermino F. Lima - www.brngusnet.com.br

Em 17 de junho de 1892, Júlio de Castilhos toma o poder e se intitula presidente do Estado.
Silveira Martins e Júlio de Castilhos- os líderes da Federalista

www.wikiwand.com
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               Ferve o caldeirão!
Os caudilhos se transformam em centauros e se travestem de deuses para domar o destino da pampa. O exagero dessas figuras serve para dimensionar  a sanha de enfrentamentos do período.
E a raia miúda é alistada, tanto para defender o Positivismo de Castilhos ou as ideias maragatas dos seguidores do magistral Silveira Martins.
No mesmo ano em que o Coronel Felipe Nery de Aguiar participa da célebre reunião na cidade argentina, um pequeno tumulto ocorre em Itaqui. Trava-se um pequeno combate com uma força de populares que queria depor as autoridades que detinham o poder. Antes de 1892, o governo era ocupado pelo presidente do conselho municipal. O último presidente nomeado era o Dr.º Eduardo Fernandes Lima, em 1889.
No ano de 1892 assume o governo municipal, o Cel. Felipe Nery de Aguiar, sendo vice, Tristão Pinto Barbosa. Eram os republicanos dominando  vida política de Itaqui por anos a fio.
O poder, como é de praxe, era patrimônio de poucos. Não havia participação popular nas decisões políticas. O povo era mantido à margem das decisões. Estas eram tomadas, à socapa, pelos caudilhos sustentados pelos partidos que os secundavam. Prevalecia uma ideologia centrada no monopólio das oligarquias rurais.
Onde minguava a democracia, proliferava a força.
Em 25 de janeiro de 1893, o Dr.º Júlio Prates de Castilhos assume a presidência do Estado. Rompe, a partir daí, a famigerada Revolução Federalista!

terça-feira, 1 de maio de 2018

Dr.º Otávio d' Avila


DR.º OTÁVIO D’ ÁVILA
Tempos de coronéis, imunidades, winchester carregadas e tocaia na estrada do Passo do Silvestre!
Prof.º Paulo Santos

Dr.º Otávio d' Ávila - Imagem Blog Sangue Palmeiro

Um dos mais emblemáticos episódios da história pregressa de Itaqui foi, sem sombra de dúvida, o assassinato do intendente Dr. Otávio d’ Ávila, em 22 de julho de 1920, em Itaqui.
Dr.º Otávio d’ Ávila, advogado, intendente, deputado provincial, filho do célebre senador do Império, Conselheiro Henrique Francisco d’ Ávila e de Maria Faustina Gonçalves Netto, era figura de destaque no cenário estadual. Descendia, por um lado da genealogia de Bento Gonçalves e Antonio de Sousa Netto, além do lado paterno pelos Ávila.
Casou com a itaquiense Onfale Palmeiro, em 1905, vindo a residir neste município. Aqui advogou e transitou na área jurídica, chegando a ser juiz da comarca, de 1904 a 1917.
Foi eleito intendente de Itaqui pelo período de 1916 a 1920, tendo como vice, o coronel Pedro Ourique de Lacerda.
Dois fatos notabilizam a passagem de Ávila pelo cenário itaquiense. O primeiro: assassinato do Dr.º Bolivar Lima Barbosa, no prédio da prefeitura municipal e o segundo: a morte do próprio intendente, em 1920.
Muitas dessas informações são oriundas da imprensa da época, principalmente os jornais, arquivados na Biblioteca Nacional, e disponibilizados através do recurso da Hemeroteca Digital, acessada através da internet. Portanto, todas elas são de domínio público. Acrescenta-se ainda os depoimentos orais dos descendentes.
Ainda que tenhamos um acervo muito grande de informações, evitaremos tocar em aspectos familiares e enfocar nomes muito específicos porque descendentes de ambos os lados existem em profusão.
É sabido que o Dr. Ávila teve problemas com membros das famílias Barbosa e Floriano. Motivado por desentendimentos, por exemplo, com Bolivar Pinto Barbosa por questões advocatícias, Ávila desferiu-lhe quatro tiros á queima roupa, na sala de audiências, que funcionava no prédio da atual Prefeitura Municipal de Itaqui. A morte foi instantânea. Bolivar era filho de Marciano Pinto Barbosa e Romalima Fernandes Lima, neto do Coronel Tristão Pinto Barbosa e Ephigenia Nunes Barbosa, sobrinho do famoso Dr.º Aureliano Pinto Barbosa. Era um destacado advogado, brilhante orador, poeta e de destacada atuação no cenário local.
Por ser deputado provincial e gozar de imunidade, Otávio d’ Ávila livrou-se do flagrante, mesmo que entre as testemunhas presentes ao fato fossem, por exemplo, um deputado estadual, um escrivão de Justiça e um oficial. Foi orientado a retirar-se em direção a sua casa que ficava na frente do atual prédio da família Mondadori, na rua independência. Casa esta que ficava ao lado direito da antiga lotérica do sr. Roquinho Degrazia. Ali, segundo fontes da época, teria vestido seu uniforme de oficial do Exército e protegido pela imunidade do cargo de deputado estadual (na época tratado como provincial também).
Pela repercussão do caso, o promotor de Itaqui pediu permissão à Assembleia Provincial para processar o dito representante. O caso rendeu “pano pra manga”! O assassinato deu-se em 8 de outubro de 1914.
Em 12 de agosto de 1915, Ávila foi julgado em Itaqui, mas não veio a condenação.
Bolivar Barbosa era amigo de Ismar Floriano, filho do estancieiro Ismael Floriano Machado Fagundes, um dos potentados de Itaqui, dono de três grandes estâncias, uma delas a atual Sociedade, vendida mais tarde para Jácomo Bonapace, no distrito dos Figueiredo. Pois Ismar era tido como arruaceiro e provocava badernas na cidade, afrontando a polícia de Ávila. Talvez resquícios ainda da morte de seu amigo Bolivar.
Ismar Floriano -  Foto acervo familiar e particular do Sr.º Bernardo Belmonte Schenini

Depois de alguns confrontos e desatinos de Ismar, aconteceu seu assassinato em 12 de maio de 1920. Segundo informações orais de pessoas que viveram aquele tempo, a morte de Ismar Floriano fora ordenada pelo intendente Otávio de Ávila. É claro, isso são relatos orais factíveis de crença.
Os descendentes dos Floriano contam que Ismar, um jovem ainda, costumava juntar três ou quatro parceiros e saiam pela madrugada a fazer bagunças no centro da cidade. Com o carro de sua propriedade, ligavam o gramofone no mais alto volume e provocavam a polícia da época. Policiamento este feito a cavalo e as armas eram revólveres e espadas. Contam que a sede da polícia era numa casa próxima à quadra da Escola Estadual Aureliano Barbosa. Havia  em parte da rua uma proteção, uma placa, ou algo assim. Ismar, de propósito, passava de carro e derrubava esta placa, irritando os policiais que saíam no seu encalço.
Por mais de uma oportunidade, Ismar e sua turma tirotearam com os policiais ferindo-os ou sendo ferido. Na última rodada, em determinado local da rua Borges de Medeiros, Ismar Floriano fora ferido mortalmente por um cabo da policia local, vindo a falecer alguns dias após. Os familiares e amigos atribuíram a morte a mando de Àvila.
Mais tarde, um fato vem a corroborar estas evidências – uma tocaia feita a Àvila pôs fim à sua vida.
No dia 22 de julho de 1920 foi organizado um passeio campestre pelo sr.º Clóvis Fernandes Lima a uma estância, quatro léguas da cidade, pertencente a Firmino Fernandes Lima. Participaram quatro carros totalizando 20 pessoas.
O carro de Ávila era o terceiro. Em determinada localização da estrada do Silvestre, perto da estância velha da Lagoa, próximo a uma mangueira de pedra, foi a comitiva atacada por um grupo de 7 homens que teriam, segundo as fontes jornalísticas, a chefia de Ismail Floriano, irmão de Ismar. Esse grupo visava tão e somente ao intendente Ávila. Ele recebeu diversos tiros na cabeça, disparados por revólveres e winchester, de grosso calibre. Não houve tempo para reação. Houve uns dois feridos, sem muita gravidade.
O relato da ocorrência destaca que Avila ficou no mesmo local onde estava sentado, sendo que foi notada a falta de dois revólveres e uma winchester que o dito intendente costumava carregar em suas andanças.
A ordem era para disparar contra o Dr.º Otávio d’ Àvila, o resto da comitiva foi preservado. Não restava nenhuma dúvida de que era um ato de vingança.
As autoridades locais procederam as diligências iniciais, mas nenhum infrator foi preso, pois boa parte do grupo escondeu-se nos matos da costa do rio Uruguai e depois fugou para a Argentina. Somente em 1923, um dos componentes do grupo foi preso em Alvear, ARG, e repatriado para o Brasil. Aqui, confessou tudo dizendo que outros capangas foram contratados para assassinar ao Dr. Ávila. Um dos mandantes, talvez o principal, Ismail Floriano, chegou a ficar preso em Porto Alegre, foi julgado e absolvido.
A mãe de Ávila, dona Faustina teria contratado os melhores advogados para fazer justiça pela morte do filho. Inclusive, entre esses advogados estava o famoso Dr.º Getúlio Dorneles Vargas. Eram pessoas influentes e de posses. Os Floriano também.
Após esse incidente, pouco depois falece o patriarca da família, Ismael Floriano. Os demais filhos saem de Itaqui. A fortuna da família começa a ser dilapidada.
Ódios, rancores e ressentimentos povoavam aquele ambiente histórico. As primeiras décadas da República, em Itaqui, foram marcadas por intensos conflitos. Vinganças, confrontos, assassinatos encomendados, caudilhos ditando comportamentos e os problemas sendo resolvidos a bala.
Esse foi um dos casos. Se olharmos para os romances do norte/nordeste, dos caudilhos e coronéis que mandavam e desmandavam, onde as terras eram sem leis, aqui não ficou para trás. Neste cenário de faroeste caboclo muitas famílias desmantelaram-se mercê da discórdia e do autoritarismo.
A história está para nos ensinar.
Parece, pelo cenário moderno, que não aprendemos muita coisa.....

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Itaqui apoia ereção de monumento a Sepé Tiaraju - 1956


ITAQUI APOIA EREÇÃO DE MONUMENTO
A SEPÉ TIARAJU – 1956
Prof.º Paulo Santos
 
imagem do endereço https://viniciusribeiroescritor.wordpress.com
No ano de 1956, nossa cidade era notícia no cenário estadual através da edição n.º 2908, página 2, do Jornal do Dia, com a sugestiva manchete ”Itaqui Cultural apoia a construção do monumento ao índio Sepé Tiaraju”.
Transcorriam-se dois séculos da morte de Sepé Tiaraju, na região que hoje leva seu nome, precisamente a 7 de fevereiro de 1756, dias antes da Batalha de Caiboaté onde o exército coligado da Espanha-Portugal aniquilou com as forças revolucionárias de Nicolau Nhenguiru que se insurgiam contra as decisões do Tratado de Madrid.
 O capitão de milícias missioneiras, Sepé Tiaraju, era um dos lugares-tenentes da insurreição, um dos líderes mais emblemáticos. Sua morte é cercada de detalhes sensacionalistas, dando a entender que foi morto por um militar espanhol e por um luso. Junto, carregou uma aura mística e lendária. Resplandeceu nas Missões a épica denominação do “lunar de Sepé”.
Pois nesse período, algumas lideranças culturais do estado propuseram ao governador que fosse edificado um monumento ao destacado líder missioneiro Sepé Tiaraju. Para tanto, foi encaminhada uma solicitação ao Instituto Histórico do Rio Grande do Sul, solicitando um parecer.
Formou-se uma comissão cujos componentes eram o professor Afonso Guerreiro Lima, professor Othelo Rosa e Dr.º Moysés Vellinho, todos doutos conhecedores da cultura e história rio-grandense. Esta comissão reconheceu os atos de valentia de Sepé, entretanto negava a qualidade dele ser brasileiro, posto que defendia as ideias da Espanha. Diziam que ele era um súdito espanhol, que combatia em armas a incorporação ao Brasil do território que a mesma Espanha cedera pelo Tratado de Madrid em troca da Colônia de Sacramento.
Esse combate é tratado pelos pesquisadores como uma hecatombe – mais de mil índios missioneiros foram mortos pelo exército luso-espanhol, umas das maiores chacinas da história pregressa brasileira nesses confins. Os cálculos diferem entre os pesquisadores, mas ultrapassam a 1.300 missioneiros mortos por um exército composto por 3.700 soldados com armas avançadas para a época.
Esse tratado foi anulado em 1761 e tudo voltou a ser o que era. A morte de milhares de índios fora em vão. O território missioneiro somente passa ao domínio brasileiro a partir de 1801 com as correrias de Santos Pedroso e Borges do Canto.  Aqui no Rio Grande tudo se resolvia a pata de cavalo, arma branca e bala e bala!
Pois, então, formou-se no estado uma corrente fortíssima a favor de tal homenagem. Várias lideranças culturais, entidades e representações enviam mensagens ao líder do governo para aprovação do monumento. A ideia era construir um monumento em São Gabriel. A discussão no meio intelectual foi intensa.
E Itaqui insere-se neste contexto. Ano de 1956. Três entidades unem-se e mandam a Manoelito de Ornellas (célebre escritor gaúcho, nascido em Itaqui), um dos líderes de tal proposição, uma comunicação dizendo da intenção de apoiar o movimento
Assinam o documento: Reynaldo Mendes da Fonseca, presidente do Centro de Tradições Bento Gonçalves; Dr.º Olimplio Tabajara, presidente da Associação Teatral José de Alencar e Dr.º Ludgero Marenco Pinto, presidente da Biblioteca Pública de Itaqui.
Não se sabe como ficou essa celeuma. Um monumento ao líder missioneiro foi construído em São Luís Gonzaga. Entretanto, destaca-se a atuação das forças vivas itaquienses de então em defesa da cultura, da história e da memória rio-grandense.
Que pena que atos dessa natureza não mais ocorram em nossa centenária cidade!

O Minhocão de Itaqui

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