sábado, 9 de setembro de 2017

Genealogia e História dos Nunes de Miranda

GENEALOGIA E HISTÓRIA DOS NUNES DE MIRANDA

Pesquisa: Prof.º Paulo Corrêa dos Santos
              
               
A família Nunes de Miranda localizou-se com maior destaque no Rio Grande do Sul, especificamente na cidade de Alegrete, ramificando para a fronteira oeste e demais regiões do estado. Entretanto, há informações de que os Nunes de Miranda chegaram no início do século XVIII, fugindo da perseguição da Inquisição, sofrida por seus ascendentes no século anterior, tanto em Coimbra como na Espanha. Foi um de seus membros, Francisco Nunes de Miranda, o primeiro preso do Brasil entregue ao Tribunal de Lisboa, em 1700.(Fonte: “Judeus no Brasil”, Keila Grinberg, p..142, disponível em Livros Blogs)
Existem conflitos de informações entre os diferentes membros que compõem esta família que se instalou no Rio Grande do Sul. Para configurar a pesquisa em questão, foram feitas consultas efetuadas em endereços eletrônicos, tais como familysearch.org, Genealogia Tropeira, Memorial Açoriano, Famílias Pioneiras do Rio Grande do Sul, geneall.net, Alegrete em Fatos(site da cidade), cbg.org.br/arquivos-genalogicos, mitoblogos.blogspot.com, familytreemaker.genaelogy.com, orkut-NUNES DE MIRANDA DE ALEGRETE, docs.google.como, órbita.starmedia.com, entre outras fontes bibliográficas.
Desta forma, convém ressaltar que a história dos Nunes de Miranda se mistura com a história de ROSA MARIA DO NASCIMENTO, dona da sesmaria que originou a cidade de Itaqui. Esta senhora, no dizer de J. Belém, autor da História de Santa Maria, teve mais de um casamento. Ei-los:
1.º matrimônio:
Casou em 10 de julho de 1773, com Manuel Antonio, filho de Luis Antonio e Margarida Marques;
2.º matrimônio:
Casou com João (ou Luís) Nunes de Miranda, em 18 de março de 1780, em Rio Pardo. Luis era natural de Rio Grande, segundo algumas fontes, noutras, o Luis ou João, é tido como natural de Portugal, sendo um militar, oficial do Regimento de Dragões do Rio Grande do Sul. Era filho de GASPAR NUNES DE MIRANDA  e FLORENCIA DE OLIVEIRA;
3.º matrimônio:
Casou com o Major Manuel da Rocha e Souza, em 17 de maio de 1795 (ou 1805), um dos fundadores de Santa Maria e proprietário da sesmaria que originou Itaqui. O Major Rocha e Souza e Rosa Maria do Nascimento tiveram a seguinte filiação:
3.1. Inácio da Rocha e Sousa, nascido em 6 de março de 1796, batizado em 26 de março de 1796, em rio Pardo, casado com Leduína de Ataíde, de Cachoeira;
3.2. Feliciana Maria de Sousa, nascida em 15 de setembro de 1800, batizada em 6 de outubro de 1800, em Rio Pardo, casada com João Guilherme Jacques, em 1819;
3.3. Rita Maria de Sousa, nascida em 10 de janeiro de 1799, batizada em 5 de janeiro de 1799, Rio Pardo, casada com João Nicolau Leiria, em Santa Maria, 1818.

Do 2.º matrimônio de Rosa Maria do Nascimento com João (ou Luís) Nunes de Miranda, a filiação é a seguinte:
2.1. João José Nunes de Miranda, do qual sua mãe, Rosa, recebe de herança a sesmaria em 1816, da área de fundação da cidade de Itaqui, conforme os relatos encontrados;
2.2. Ana Maria Nunes do Nascimento, casada com José Alves Valença;
2.3. Gaspar Nunes de Miranda, nascido em 1799, casado em Alegrete, em 16 de setembro de 1824, com Isabel Custódia de Lima, filha de Domingos Pereira de Lima e Leonarda Maria dos Santos. Gaspar e Custódia tiveram a seguinte filiação:

2.3.1. Bernardino Nunes de Miranda, nascido em 1826, em Alegrete;
2.3.2. Carlota Tertuliana Nunes de Miranda, nascida em 19 de abril de 1827, em Alegrete, falecida em 24 de junho de 1862, casada na mesma cidade em 28 de outubro de 1848, com Demétrio José Machado, entre seus filhos constam:
         2.3.2.1. Adriano Nunes Ribeiro c.c. Celestine Blanche Saint Martin Ribeiro;
         2.3.2.2. Carlos Nunes Ribeiro c.c. Afra Alves dos Santos;
         2.3.2.3. Mathildes Nunes Ribeiro, que suicidou-se, tomando uma xícara de vinagre por dia, chegando ao estado de tísica. Morreu de amor! Apaixonou-se pelo tio, Dr.º Francisco Nunes de Miranda, que não correspondeu a esse amor;
         2.3.2.4. Demétrio Nunes Ribeiro c.c.Ana Clara de Sá Brito e Silva.
2.3.3. José Nunes de Miranda, nascido em Alegrete, em 9 de outubro de 1830, c.c. em 24 de novembro de 1857, com Luiza Felicidade Cardoso. Filho:
         2.3.3.1. Olintho Nunes de Miranda c.c. Francisca de Sousa Nunes.
José Nunes de Miranda foi vereador em Alegrete, em 1889, participando ainda da 4.ª Junta Municipal de 1891;
2.3.4. Francisca Nunes de Miranda, nascida em 1832, Alegrete;
2.3.5. Brisabel Nunes de Miranda, nascida em 24 de novembro de 1833, Alegrete;
2.3.6. Francisco Nunes de Miranda, nascido em 4 de março de 1837, Alegrete, Formou-se em Engenharia, no Rio de Janeiro, em 1859. Foi responsável pela construção da ponte de rodagem sobre o rio Ibirapuitã e o cais do porto de Rio Grande. Presidente da Câmara de Vereadores de Alegrete, 1873, foi deputado provincial e um dos mais representativos políticos da região na época, faleceu em Alegrete, em 13 de maio de 1884, solteiro;
2.3.7. Manoel Nunes de Miranda, nascido em 4 de março de 1837, Alegrete;
2.3.8. Maria Nunes de Miranda, nascida em 30 de dezembro de 1839, Alegrete;
2.3.9. Vasco Nunes de Miranda, nascido em 20 de maio de 1846, Alegrete, casado com Anna Castanho de Esobar, Vereador na mesma cidade, juiz de paz. Filhos:
         2.3.9.1. Blonde(ou Blondina)  Nunes Coelho c.c. com Armando Porto Coelho, amigo do presidente Getúlio Vargas;
         2.3.9.2. Dr.º Arsênio Nunes de Miranda, nascido em 1901, c.c. em 29 de novembro de 1923 com Eroildes de Alcântara Monteiro, falecido em Itaqui, RS;
          2.3.9.3. Vicentina Nunes de Miranda, nascida em Itaqui, em 1893 e falecida na mesma cidade, com 15 anos, em 1908;
2.3.10. Sebastiano Nunes de Miranda, nascido em 20 de janeiro de 1848, Alegrete;
2.3.11. Rosa Isabel Nunes de Miranda c.c. Vasco Alves Pereira, 1.º Barão de Santana do Livramento;
2.3.12. Gaspar Nunes de Miranda.

O Tenente Gaspar Nunes de Miranda foi um dos primeiros sesmeiros de Alegrete, recebendo campos em 1818, e desde 1815 nos Campos Avançados das Missões, além do rio Santa Maria, denominado Graputiã, desde 1822 em campos de Entre Rios, segundos a fonte: Genealogia Tropeira, p.202-203

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Genealogia de José Caetano de Mello

GENEALOGIA DE JOSÉ CAETANO DE MELLO
O homem que tinha a chave do cofre!

Prof.º Paulo Corrêa dos Santos
Da genealogia Pereira Coimbra temos Auta Pereira Coimbra, filha de Francisco José Pereira Coimbra e de Maria do Carmo de Aguiar, filha do pai do Cel. Felipe Nery de Aguiar, o também militar Braz Pinto de Aguiar. Casou com José Caetano de Mello, passando a assinar: Auta Coimbra de Mello.
Seu esposo, José Caetano de Mello, era originário de Santa Catarina. Fez parte da primeira Câmara Municipal de Itaqui, quando de sua emancipação, chegando por vezes a administrar a Villa. Há, inclusive, informação sobre um José Caetano de Mello como vereador em Uruguaiana, ano de 1851.
Há registros de um homônimo seu, que teria participado da Revolução Farroupilha, dando baixa do Exército Imperial em 17 de junho de 1844, como Cabo, do esquadrão, 2.º Batalhão de Fuzileiros. Seu pai, nesse registro, seria João Caetano de Mello. O mesmo era Alferes do 2.º Batalhão de Caçadores de Linha do Exército, sendo ferido em combate na mesma revolução, em 6 de julho de 1841. Era de Santa Catarina.
No entanto, não seria este o nome de seu pai. Em registro mais idôneo, consta sua filiação como sendo: Vicente Caetano de Mello e Mariana Roza de Jesus. Quem sabe esse João não seria um tio, ou avô, pois o sobrenome e o local combinam.
José Caetano era um rico comerciante, de acordo com os registros da época. Tinha casa de negócios na Villa de Itaqui, por volta de 1859. Mais tarde, devido aos incidentes ocorridos com a filha Emília Josefina de Mello, foi para Santiago do Boqueirão,em 1868, onde junto com a filha Julieta, fundam uma escola de primeiras letras. Sendo, por esse motivo, considerado por Hemetério Veloso da Silveira um dos introdutores da educação naquelas paragens.
José Caetano de Mello nasceu por volta de 1822, em Santa Catarina, e faleceu em Itaqui, RS, em 9 de agosto de 1882, com 60 anos. Na lista de votantes da Paróquia de São Francisco de Assis, alistados em Itaqui, no dia 8 de fevereiro de 1877, aparecia com 60 anos. Nesse caso, seu nascimento dar-se-ia em 1817. Em se considerando o registro das informações do passado, de 4 a 5 anos de diferença se considera algo perfeitamente tolerável.
Outras informações sobre José Caetano de Mello indicam que constava como um dos membros da comissão que reivindicava a emancipação de Itaqui do termo de São Francisco de Borja. Iniciativa essa proposta pelo Juiz pernambucano, Dr.º Hemetério José Veloso da Silveira, em 1857.
Quando da instalação do município, em 30 de março de 1859, José Caetano fazia do Conselho Municipal, eleito para administrar a Villa, como era denominado nessa época o município, com a presidência do Cel Antonio Fernandes Lima, o mais votado. Fernandes Lima lhe passa o governo no ano de 1860.
Em 29 de janeiro de 1862 é nomeado 3.º suplente do Juízo Municipal do termo, renomeado em 1865-1866.
No ano de 1862 é reconduzido no cargo de conselheiro municipal(vereador), cabendo-lhe a presidência e, por direito, a administração do emergente povoado, indo até o ano de 1864. Ao findar o referido ano, novo conselho é votado e José Caetano continua. Alguns meses mais tarde, os paraguaios invadem o Brasil. Itaqui sofre os rigores dessa invasão.
Nas informações dos primeiros trabalhos da Câmara de Itaqui – 1859/1860 – José Caetano de Mello detinha as chaves do cofre da municipalidade, em sua casa. Era gente de confiança do poder local.
Não existem registros detalhados sobre Auta Coimbra de Mello, sua esposa. Acredita-se que tenha falecido após 1890.
José Caetano e Auta Coimbra tiveram a seguinte filiação:
1.    Emilia Josefina Coimbra de Mello – a Mila. Nasceu em Itaqui, em 27 de agosto de 1850, sendo batizada em 21 de setembro de 1850. Casou, em 28 de janeiro de 1867, com o Tenente da Marinha brasileira, Luiz Felipe Saldanha da Gama, que servia na Flotilha do Alto Uruguai, sediada em Itaqui. Casamento feito pelo primeiro padre de Itaqui, José Coriolano de Sousa Passos, e que durou apenas 8 dias. Saldanha da Gama foi para a guerra, nunca mais se encontraram. Mila, mais tarde, veio a casar com o fazendeiro de Santiago do Boqueirão, Antonio José de Barcelos, bem mais velho do que ela. Tiveram cinco filhos: Otávio, Ramiro, Ciro, Rosa e Ada. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1.º de outubro de 1931, sendo seus restos removidos para Santiago, no Rio Grande do Sul.
2.    Felipe Nery de Santa Cruz de Mello. Casado com Rosa Leoplinda de Mello, pais de:
2.1.            Arthur- batizado em 01.05.1883, nascido em 19.04.1882.
2.2.            Anita. Batizada em 20.09.1891, nascida em 13.12.1888.
2.3.            Alfredo. Batizado em 16.11.1877, nascido em 1877, todos em Santiago do Boqueirão,RS.
3.    José Caetano de Mello. Batizado em 23.12.1863. nascido em 18.09.1857, em São Patrício de Itaqui, tendo como padrinho de batismo, o vigário José Coriolano de Sousa Passos e Anna Marques Figueiredo Pereira. Casou com Celanira Cardoso de Sousa, em 26 de setembro de 1886, pais de:
3.1.            Cyro – batizado em 07.05.1896, nascido em 14.09.1889, em Santiago,RS;
3.2.            José- batizado em 07.05.1896, nascido em 27.10.1895, em Santiago,RS.Há informação de que O Tenente José Caetano de Mello (F.º) assume o comando da Brigada Militar, em Cruz alta, 1932. Antes em 1921 forma-se em medicina, em Porto Alegre;
4.    Irineu Caetano de Mello. Nascido em 1854. Casa em 11 de setembro de 1875, com Malvina Alves de Aguiar, filha de Manuel Pinto de Aguiar (filho de Baltazar Pinto de Aguiar), tio de Irineu e de Ana Alves de Aguiar, casamento oficiado pelo vigário José de Noronha Nápoles Massa.Irineu e Malvina são pais de:
4.1.            Atos – batizado em 27.04.1884, nascido em 12.09.1883;
4.2.            Elfrides – batizada em 17.12.1883, nascida em 30.01.1885,
4.3.            Maria Amália. Batizada em 12.01.1887, nascida em 05.07.1886;
4.4.            Ana Candida – batizada em 03.02.1892, nascida em 03.10.1887, todos em Santiago do Boqueirão, RS.
5.    Polycarpo Caetano de Mello. Nasceu em 1864 e casou em Itaqui, no dia 29 de novembro de 1890, com Percilia de Barcellos, filha de Antonio José de Barcellos e Ignes Pinheiro. Este seria o esposo de Mila. Polycarpo faleceu em Santiago do Boqueirão,  no dia 22 de março de 1943, com 80 anos. Polycarpo e Percilia eram pais de:
5.1.            Minos Barcellos de Mello casado com Ida Barcelos, filha de Virgilio José de Barcellos e Luiza Jacques de Barcellos.
6.    Luiz Coimbra de Mello. Seria o Luiz Theodorino de Mello, nascido em 1.º de julho de 1866 e batizado em 22 de novembro de 1867, em Itaqui,RS;
7.    Leopoldo Coimbra de Mello. Sem dados.
8.    Artur Coimbra de Mello. Sem dados.
9.    Julieta Coimbra de Mello. Nasceu em 1853 e faleceu, com 87 anos, em Santiago, no dia 29 de novembro de 1942. Casou com Paulino José de Barcellos, filho do esposo de Mila, Antonio José de Barcellos. Julieta e Paulino foram pais de:
9.1.            Maria Marieta, nascida em 1894 e falecida em 18 de março de 1895, natural de La Cruz, Argentina;
9.2.            Armando José de Barcellos, falecido em 16 de dezembro de 1900;
9.3.            Godofredo José de Barcellos, nascido em 1.º de novembro de 1886 e batizado em 17 de fevereiro de 1888;
9.4.            Octacilio José de Barcellos;
9.5.            Alice- batizada em 03.05.1883, nascida em 1882, Santiago,RS;
9.6.            Antonio – batizado em 01.07.1884, nascido em 26.04.1884, Santiago,RS;
9.7.            Tito José – batizado em 21.01.1887, nascido em 04.01.1886, Santiago,RS.
Paulino José de Barcellos tem registro de batismo de Silina, em 11.11.1877, nascida em 12.10.1877, Santiago do Boqueirão, sendo a esposa, Dalia Neves Mello de Barcellos(?).
10. Auta Coimbra de Mello. Nascida em 1859, casada com Pedro Emílio Falcão de Frota, em 27.09.1877, em Santiago do Boqueirão.Pais de:
10.01. Alfeu – batizado em 30.04.1883, nascido em 02.09.1882.
10.02. Acelino – batizado 29.06.1891, nascido em 14.09.1889, Santiago, RS.
11. Maria Coimbra de Mello. Casada com Antonio José Falcão de Frota. Pais de:
11.01.Maria – batizada em 13.08.1886, nascida em 12.09.1885, Santiago, RS;
11.02. Maria Auta – batizada em 26.02.1884, nascido em 02.04.1883;
11.03. Maria – batizada em 24.12.1863, nascida em 24.11.1861, Santiago, RS;
11.04. Arlindo – batizado em 24.05.1891, nascido em 30.05.1890, Santiago, RS.
12. Maria Evangelina de Mello , nascida em 1872, casada com Alfredo Costa, em 18.01.1890, Santiago do Boqueirão, RS, pais de:
12.01.Sílvio- batizado em 24.05.1891, nascido em 30.11.1890, Santiago do Boqueirão, RS.
Esta seria a filiação conhecida de José Caetano de Mello e Auta Coimbra de Mello. Esta família é representativa na história antiga de Itaqui, ainda que boa parte de seus filhos tenham constituído família na vizinha cidade de Santiago do Boqueirão ou São Francisco de Assis.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Dr.º Roque Degrazia

    Dr.º Roque Degrazia
A lembrança de um médico humanitário e político influente
Prof.º Paulo Santos

Uma das figuras mais populares e efetivas da história itaquiense é, sem dúvida, o Dr. Roque Degrazia, embora nem sempre reconhecido por boa parte da comunidade. Eu creio que isso se deve ao desconhecimento, pois Itaqui sabe ser grata a quem fez algo por ela. E o Dr. Roque soube cumprir esse preceito.
Dr. Roque era filho do casal de imigrantes italianos Antônio Degrazia e Felícia Risso Degrazia. Seus avós paternos eram Pascual Degrazia e Angélica Sacramento e os maternos, Leonardo Risso e Margarida Rosello. Nasceu em 17 de maio de 1884, em Itaqui, RS. Teve como irmãos: Helena Degrazia casada com Manuel Rodrigues Palmeiro, Paschoal Degrazia com Eliza Caldeira Degrazia (neta do Coronel Felipe Nery de Aguiar) e Salvador Degrazia, faleceu solteiro.
Da Itália vieram seu pai Antônio e o irmão deste, Salvador Degrazia, que se casou com a argentina Leontina Orengo Degrazia.
Tornou-se médico, entretanto sua atividade pública foi intensa. Foi prefeito municipal nos períodos de 1924 a 1928, de 1932 a 1034 e de 1935 a 1937.
Foi eleito deputado à Assembleia Estadual em 1931. Líder da bancada majoritária e presidente nas Comissões Constitucional e de Orçamento.
Foi cônsul honorário do Brasil, em Alvear, República Argentina, em 1948.
Casou com a uruguaianense Ourinho Paim Degrazia com quem teve uma família numerosa, entre eles vale destacar o médico conhecido e lembrado, Dr. Humberto Paim Degrazia.
Dr. Roque Degrazia era um médico humanitário que costumava não cobrar de quem não pudesse e atendia de forma indiscriminada a todos. Corre uma lenda de que o Dr. Roque quase não cobrava nada de quem não podia, ou mesmo quem podia. Os comerciantes da cidade não o deixavam pagar nada. Muito do que ele comprava não era cobrado, como forma de retribuição ao belo atendimento que ele prestava a quem precisava.
Tanto empenho e dedicação ao trabalho comunitário lhe granjearam simpatias múltiplas, que mais tarde virou homenagem através do batismo da Escola Estadual Dr. Roque Degrazia, o conhecido Colégio Polivalente.

Era o mínimo que podia fazer diante de uma vida pública tão intensa e tão produtiva.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Povo Jesuítico de Itaqui

Povo jesuítico de Itaqui!
Será que nossos pés estão tocando raízes missioneiras?
Prof.º Paulo Santos
Cópia de mapa que estaria na biblioteca do Vaticano, recebido do pesquisador Fernando Rodrigues

Há muito pesquiso referências que possam indicar Itaqui no espaço das Missões Jesuítico-guaranis dada nossa proximidade com o secular povo de São Borja e por sermos uma estância de criação de gado da redução de Nossa Senhora de Mbororé de la Cruz. Confesso que os achados ainda são tímidos, mas relevantes.
Uma das indicações mais surpreendentes até agora vista é a notícia de que em 1759 havia o Pueblo de Itaquy. Após a Guerra Guaranítica, os colonizadores resolveram instalar um tribunal para julgar a culpabilidade, ou não, dos jesuítas no episódio da sublevação indígena frente ao Tratado de Madrid.
Oficiais espanhóis conversam com um índio chamado Ignacio Mbaegue, um guarani originário do povo missioneiro de São João Batista, que estava no Pueblo de Itaquy. Afinal, que povo era esse, visto que não éramos uma redução missioneira, apenas um rincão de criação de gado da comunidade de La Cruz, no outro lado do rio Uruguai? Por que foi citado esse nome? Onde estava situado? Em 1759 já era o início da derrocada do processo evangelizador cristão missioneiro aqui.
Durante o período que este território pertencia a La Cruz, nas Missões Ocidentais, era natural que houvesse estâncias espalhadas pelos campos, mangueiras circulares de pedra, postos de vigilância e controle do gado, algumas capelas ao longo da imensidão dos campos, todas com nomes de santos da Companhia de Jesus. Em mapa feito por ocasião da escrituração de La Cruz, aparecem, muito distintamente, dezenas de capelas com nomes em espanhol no espaço itaquiense.
Mapa constante material: La Cruz.Una rica historia por conocer. Joaquin Emilio Elizade, 2003.


Temos muitas referências a acidentes geográficos, mananciais e localidades com nomes indígenas como Bororé, Tuparaí, Itaó, Curuçu, Mbutuí, Puitã que, com certeza, devem ser desse período. Hemetério José Velloso da Silveira fazia referência a três estâncias missioneiras: Mbororé, São Donato e Santo Cristo com algumas evidências ainda preservadas.
Um grande historiador missioneiro, Pedro Marques dos Santos, dizia numa de suas obras que em 1760, a redução de São Nicolau recebeu a visita de um bispo. Muitos índios de outras reduções foram em caravana até este local. O autor cita que se reuniram índios de Itaqui. Observa-se que esta data situa-se após a extinção do processo missioneiro nos moldes anteriores. Alguns povos ainda resistiram, outros foram expulsos e segregados a outros lugares, como por exemplo, a outra banda do rio Uruguai. Se levarmos em consideração que existiu o Pueblo de Itaquy, citado em 1759 e, que agora, índios desse povo iriam recepcionar o bispo em São Nicolau em 1760, então algo havia. Como iriam índios de Itaqui se não existisse esse povo. Deveriam ir índios de Nossa Senhora de Mbororé, La Cruz, cuidando dos rebanhos dessa redução, no lugar chamado Itaqui. Isso sim. Os indícios param por aí.
A quantidade de gado criado por La Cruz na região de Itaqui era algo assombroso. A estrutura montada para gerir rebanhos imensos e controlar todo esse movimento não devia ser algo tão simples. Portanto, há de se crer que, ainda que fosse um rincão cruzenho, podia haver um povoado, com alguma estrutura comunal próxima do modelo jesuítico aqui. Esse Pueblo devia estar em algum local próximo à margem do rio Uruguai ou do rio Itaquy (atual Cambaí). São conjecturas, mas possíveis.
Existem evidências arquitetônicas desse período hoje? Não. Porém, uma foto nos intriga substancialmente. Por volta de 1908-1910, há um postal cuja legenda diz:”ruínas missioneiras”, no fundo do quartel do arsenal da marinha de guerra em Itaqui. Ei-la!



A Flotilha do Alto Uruguai foi instalada a partir de 1866, próximo à barra do rio (arroio) Cambaí. Essas ruínas estavam ali, fronteiras ao povo de Santa Ana, uma capela jesuítica do outro lado do Uruguai, hoje denominada cidade de Alvear. Observem o formato das pedras, o encaixe, o tamanho e o corte, o desenho da frontaria daquele prédio – uma porta grande e janelas laterais. O que seria aquilo? Casa de moradia creio que não! Por que colocaram “ruínas missioneiras”? Seria uma igreja? Seria um posto de passagem, uma guarda? O que seria? Por que missioneiras?
Quem conhece São Miguel das Missões, já deve ter visto pedras gigantescas e bem trabalhadas encimando portas e janelas. Observem o desenho delas e os encaixes típicos da arquitetura missioneira. Eu me arrisco a dizer que estas ruínas seriam de uma capela.
Encabeçando este texto, temos cópia de um mapa que estava no Vaticano, onde aparece a localização desse espaço missioneiro com a denominação de rio Ytaqui ao atual arroio Cambaí. Isso em 1690! Pois se esse nome Ytaqui já existia desde 1690 é porque havia evidência de algum povoado estruturado no modelo cristão da Companhia de Jesus nessas plagas.
Em 1737, num mapa de um jesuíta argentino, aparece novamente a denominação de rio Itaqi (assim grafado). Então? Talvez o embrião de toda essa dúvida esteja aí – o Pueblo de Itaquy podia estar próximo desse rio. Esse rio poderia dar nome ao território e, quem sabe, um povoado próximo a ele.
Por que a prata das Missões passou por Itaqui em 1835?
Por que a lenda do tesouro dos jesuítas povoa o imaginário itaquiense, enterrado numa curva do Ibicuí em campos da família Barbosa?
Por que havia esculturas e sinos missioneiros na antiga igreja de Itaqui? Sinos com datas de 1717 e 1733, por quê?
Por que o povo do Carmen, veio do Paraguai, em 1848, fundar uma colônia no distrito de Tuparaí?
Por que um relatório da Câmara de Vereadores de Itaqui, de 1881, afirmava que havia esteios de madeira em perfeito estado de conservação das construções missioneiras? Que construções missioneiras eram essas?

Não temos ruínas e sequer estamos no Caminho das Missões. Podemos não ter evidências líticas, esculturas ou prédios desse período, mas o acervo documental de tais evidências poderia fazer com que os estudiosos e promotores turísticos olhassem de uma outra forma para “nosotros”!
Ilustração de Gracco Bonetti, captando esse olhar que busca nossas raízes missioneiras do velho Rincão da Cruz.

domingo, 3 de setembro de 2017

Genealogia Balthazar Pinto de Aguiar

GENEALOGIA BALTHAZAR PINTO DE AGUIAR
Um ferrenho opositor de Bento Gonçalves
Prof.º Paulo Corrêa dos Santos
As pesquisas da genealogia Pinto de Aguiar, no ramo de minha família, tem fundamento em dados paroquiais e outros, orais. Consta que os atuais descendentes provêm do Tenente de Milícias, Balthazar Pinto de Aguiar, natural da Bahia casado com Luzia Francisca Cabral (ou Lima).
Sua data de nascimento estipula-se por volta de 1780. Sua esposa era natural de Cachoeira do Sul, um dos primeiros municípios do Estado, filha de Antonio Cabral, de Santa Catarina, e de Eulalia Maria do Espírito Santo, de Viamão. Observa-se o trânsito das genealogias: Portugal/Brasil-Bahia-Santa Catarina - Rio Grande do Sul (Viamão-Cachoeira-Santa Maria-Itaqui...)
Na documentação do Bispado de Santa Maria da Boca do Monte, nos registros paroquiais ora aparece como Major ora como Capitão e, noutros, como Tenente de Milícias, pois fazia parte de um Regimento de Miliciano.
Aqui se radicou, vindo para Santa Maria no período de fundação, em sua fase Acampamento, acompanhando a Partida Demarcatória e recebendo terras na sesmaria do Inhatium, onde teria construído sua moradia, sendo o primeiro proprietário da estância de mesmo nome, existente até hoje, na região de São Gabriel. Na época, esse território fazia parte de Santa Maria, creio.
 
Sede da Estância Inhatium, propriedade de Balthazar Pinto de Aguiar, ainda preservada, em São Gabriel na divisa com Santa Maria da Boca do Monte.
Seus dados ainda precisam ser resgatados, porém sabe-se que foi Juiz de Paz, no período da Revolução Farroupilha, lutando ao lado dos legalistas contra os republicanos de Bento Gonçalves. Existe bibliografia que aponta o Juiz Baltazar Pinto de Aguiar como um dos ferrenhos opositores a Bento, inclusive organizando forças e reuniões contra os farroupilhas, sediando-se no distrito de Pau Fincado.
Na fase inicial de Santa Maria atuou de forma bastante intensa na organização política, participando de reuniões e era, como se supõe, uma autoridade respeitada e presente. É dele requerimentos ao governo do Estado pedindo providências para problemas de segurança do povo de Santa Maria.
Os registros de batismos da paróquia de Santa Maria mostram um número razoável de eventos onde o mesmo e sua esposa foram padrinhos, inclusive servindo de referência para estudo acadêmico atual, disponível na internet. Aparece batizando tanto crianças brancas quanto escravos ou filhos desses, ainda que fosse um dos grandes proprietários de cativos.
Em pesquisa nos livros de batismos da Catedral (gentilmente contatados e copiados pela itaquiense Dirce de Aguiar, radicada naquela cidade), foi-nos possível identificar o seguinte plantel de sua propriedade:
1.    Rita, batizada em 28.12.1818, escrava filha de Engracia, nação Congo, pai incógnito;
2.    Maria, batizada em 14.06.1820, de pais incógnitos;
3.    José, batizado em 14.06.1820, adulto, do Congo;
4.    Maria, (outra), batizada em 14.06.1820, do Congo;
5.    Joaquim, batizado em 19.06.1820, adulto;
6.    Adão, filho de Engracia, Congo, pai incógnito, batizado em 01.06.1814;
7.    Manoel, batizado em 18.05.1815, adulto, Congo, mais ou menos 18 anos;
8.    Paullo, batizado em 18.05.1815, adulto, mais ou menos 19 anos.
Talvez existam outros mais, pois a pesquisa foi apenas num espaço de tempo que as cópias permitiram.
O Capitão Balthazar Pinto de Aguiar era filho de Balthazar Antonio Pinto, natural da região de Tras-os-Montes, de Portugal, ou ainda aparece como sendo natural de Lisboa. Veio para o Brasil casando-se com Adriana Felicia de Santa Anna, natural da Bahia, não se sabe a cidade.
Alguns registros de batismos mostram que seu pai, Balthazar Antonio Pinto veio com ele para Santa Maria, pois seu nome aparece como padrinho de batismos. Não há referência com relação à mãe. É de se crer que o mesmo tenha falecido em Santa Maria. Tanto o óbito do pai quanto do filho não foi identificado até agora. As pesquisas continuam e vão chegar até.
Os relatos orais pelo lado de minha família indicam que Balthazar Pinto de Aguiar tinha um irmão em Itaqui, chamado IGNACIO PINTO DE AGUIAR, que era meu quarto avô paterno. Consta-se que ele eventualmente ia de Santa Maria a Itaqui ver o irmão, que se deslocava da sesmaria Bittencourt, onde morava, para encontrá-lo. Em 1808, encontramos registro de Balthazar batizando alguém em São Borja, da qual Itaqui pertencia.
Com o período da turbulência da Revolução Farroupilha, Santa Maria foi muito atingida nas propriedades e pessoas que eram contra ou a favor do movimento. Balthazar, como era um líder monarquista, com certeza sofreu a perseguição dos farrapos. Muitos proprietários tiveram que abandonar a região. Acredito que Balthazar veio para cá com alguns filhos, como tinha o irmão Ignacio e outros conhecidos e parentes, como os Silveira Dutra, os Medeiros, que vieram também, além dos Fernandes Lima, com o qual sua esposa (Luiza ou Luzia, tinha parentesco).
Ignácio Pinto de Aguiar, seu suposto irmão, nasceu em 08 de agosto de 1806, não se sabe a cidade, mas na província do Rio Grande do Sul e faleceu em Itaqui, no Rincão da Árvore, distrito distante uns 40 a 50 km da sede, em 25 de agosto de 1886. O curioso é que pesquisei, no Bispado de Uruguaiana e encontrei o óbito de Ignacio, registrado pelo célebre padre José de Noronha Nápoles Massa, dizendo que morreu de paralisia, que o seu estado era de solteiro, contava com 78 anos, natural desta província e sua filiação era ignorada, por ter sido exposto. Por isso é que tenho dúvida de que seja, de fato, um irmão de Balthazar, visto que a diferença de nascimentos era considerável. Balthazar nascera por volta de 1780 e Ignacio, 1806. Eu até posso acreditar que seja um irmão de criação, já que foi de fato exposto. Mas exposto onde? Quando Balthazar já estava no Rio Grande ou na Bahia?
Ignácio fixou-se na região do Rincão da Árvore, estendendo seus campos até próximo do Mariano Pinto, com uma extensão enorme de terra. No início arrendava campos, a partir de 1870 já começou a comprá-los. Teve quatro mulheres diferentes, não casando com nenhuma, gerando 11 filhos e a todos reconhecendo, deixando no testamento porções consideráveis para todos. O interessante é que Felipe Nery de Aguiar foi escolhido por ele para ser o testamenteiro.
Ignacio foi enterrado no cemitério de Ismael Floriano Machado (que pertence a um outro lado de minha genealogia e do qual já tenho um acervo grandioso de informações), no distrito que hoje leva o nome de Figueiredo, que era o sobrenome dos pais da esposa de Ismael Floriano. Este cemitério hoje faz parte dos herdeiros do famoso estancieiro Jácomo Bonapace, mais conhecido como Polaco Bonapace, o qual tive o prazer de conhecê-lo. Era uma figura folclórica e engraçada. Um tio, irmão de meu pai, muito tempo trabalhou na estância dele e lá muitas vezes estive. Conta a tradição oral que esta estância era do tempo de Ismael, que ali havia escravos, que muitos ficavam presos em argolas em algumas peças da casa. Correm histórias de assombração as mais encantadoras possíveis. Algumas eu colhi e registrei em meus arquivos.
Minha ascendência provém de Rosalina Lerina Pinto de Aguiar, filha de Ignacio e Fermiana Rosa de Lima, mulher casada que há muito vivia com ele. Rosalina casou com Honório Francisco dos Santos, nascido em 1852, em Santa Maria. Esses eram meus trisavós paternos, que geraram Higino Francisco dos Santos casado com Ernestina Silveira dos Santos (meus bisavós), por sua vez, pais de Osvaldo Silveira dos Santos casado com Virgilina Corrêa dos Santos (meus avós) – pais de Waldemar Corrêa dos Santos casado com Élvia Corrêa dos Santos (meus pais) – todos falecidos.
Voltando a Balthazar Pinto de Aguiar, vamos encontrar sua filiação em Santa Maria, com sua esposa Luzia Francisca Cabral (ou de Lima), conforme pesquisa nas cópias recebidas:
1. Luiza (ou Luzia), nascida em 20.08.1809;
2. Braz Pinto de Aguiar, nascido em 22.03.1811 - todos nascidos em Santa Maria;
3. Autta, batizada em 20.09.1814;
4. Maria do Carmo, nascida em 21.11.1815, casada com o português Francisco José Pereira Coimbra, cuja filiação tem no meu livro, e viveram em Itaqui;
5. Manoel, nascido em 25.03.1817;
6. Ramão, nascido em 23.10.1818;
7. José, batizado em 11.06.1820;
8. Manoel, nascido em 12.03.1849, seria o mesmo casado com Anna Fausta Alves Corte;
9. Antonio Pinto Cabral de Aguiar casado com Innocencia Nunes de Aguiar;
10. Zeferino Pinto de Aguiar casado com Josefina Antonia de Mattos;
11. Francisca, nascida em 13.09.1821;
12. Maria Antunina de Aguiar casada com Faustino Machado;
13. Pedro, nascido em 20.06.1825;
14. Antonio, batizado em 11.05.1827 (não sei se não seria o filho de número 9.
15. Maria, batizada em maio de 1823, em Santa Maria.
Alguns nomes se repetem, talvez alguns morressem cedo e ele volta a batizar com o mesmo nome. Sou fiel ao texto, copio na íntegra, inclusive com a mesma grafia e os mesmos dados. Tem filhos que aparecem casados, que eu não consegui data de nascimento ou batismo.
Noutro momento, tenho a filiação de alguns desses filhos de Balthazar.
Dessa filiação, viveram em Itaqui: Braz Pinto de Aguiar, pai do Cel. Felipe Nery de Aguiar, Maria do Carmo, que pelo que sei tinha casa próxima ao teatro, em frente à praça; Manoel (n.º 8) que fez parte da Guarda Nacional, assim como Ramão, que teria falecido por aqui. Não consegui ainda localizar a data de óbito de Balthazar, creio que deve ser após 1854.
Os registros do passado eram inconstantes. Em alguns apontamentos encontrei Balthazar desta forma, a grafia antiga; noutros, como Baltazar apenas. Seu pai aparecia como Balthazar Antonio Pinto ou como Baltazar Pinto de Aguiar. Sua mulher ora aparece como Luzia ou Luiza. Num momento tem o sobrenome Cabral, noutro o Lima, mas nunca usa o nome do marido. Será que casaram de fato? Nas minhas pesquisas sempre procurei ser fiel aos registros, copiando integralmente tudo. Depois achava os erros e confrontava as informações, “dialogando com a pesquisa”.
Para quem pesquisa precisa entender o período pesquisado, a ideologia da época, a forma de se expressarem e as tendências político-históricas envolvidas. O pesquisador tem que ser um pouco pesquisador e um pouco historiador. A gente é um pouco isso. Eu me considero um arremedo de pesquisador e, em alguns momentos uma espécie de “dublê de historiador”.
Em Itaqui existem diversos descendentes deste Tenente de Milícias, Balthazar Pinto de Aguiar. Aguardo, a partir de agora, acréscimos de informações dos descendentes aqui ou fora do município.

                               


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Itaqui - um cego, barras de ouro e os rigores da lei!

Itaqui – um cego, barras de ouro e os rigores da lei!
Um flash curioso do passado.
Esta igreja compunha o cenário desta curiosa notícia.

Prof.º Paulo Santos
Corria o ano de 1899.
No entrevero das guerras e revoluções, Itaqui respirava um ar de calmaria.
Cigarras bordejavam pelos frondosos ipês em seu uníssono concerto, trilha sonora para um cenário de modorra e inércia. Uma paz exagerada.
Seis anos passados e a Federalista comia solta. Picapaus e maragatos batiam adagas num combate desigual. Três décadas antes, os paraguaios davam serviço a essa gente.
Do extertor da Monarquia para o estabelecimento da República, muitos debates, intrigas, atentados, mortes encomendadas de parte a parte, prisões, perseguições, ódios e ressentimentos.
Água na ebulição máxima do caldeirão!
Agora – 1899. Ânimos refreados. Beatas com seus véus escuros e terço nas mãos cruzam a rua da Igreja. Contritos senhores embigodados atravessam o centro empertigados na condução de suas jardineiras. Um bando de guris de calças curtas e pés no chão espreitam numa esquina.
Um tempo terno e plácido.
Um fato curioso vem quebrar esse monótono ambiente.
Eis que um cego aparece pela cidade, acompanhado de um guia que o ajudava a pedir pelas ruas.
A polícia local desconfiou daquela cegueira e chamou o distinto aos conformes. Interpelado, o dito cujo foi encaminhado para a casa de saúde do povo (creio que o antigo Hospital na área próxima ao bairro Cerrinho).
O delegado, louco de vivo, mandou examiná-lo, dizendo que estava num hospital e que iria ser operado para restituir a visão. Para tanto, foi avisado que seria necessário uma anestesia.
O finório “abriu o olho”! Medo, desespero, pavor, não sei que sensações dele se apossou.
Respondeu: - “ Não, doutor, não há necessidade, estou bem. Vejo perfeitamente, muito obrigado!”
Milagre! Milagre, pensaram. Mas os homens da lei não eram bobos. Os policiais detiveram-no e fizeram uma revista. Nos bolsos e pertences do “pobre pedinte” encontraram regular quantidade de ouro e papel, além de algumas armas. O mesmo ocorreu com o seu companheiro.
Que barbaridade! Enquadrado nos costumes de então, o pseudocego teve a carreira frustrada. Sem querer, alguém, não se sabe como, abriu-lhe os olhos!
Como diria um folclórico técnico de futebol com suas tiradas hilárias:
 “O pior cego é aquele que não vê!”

Verdade. E pensar que nesses tempos modernos é que grassam os espertalhões. Olho vivo sempre existiu. 

O Minhocão de Itaqui

                        O Minhocão de Itaqui:   o limite entre o real e o imaginário ! Prof.º Paulo Santos O limite entre o real e o ima...