domingo, 21 de junho de 2020

Manuel Silveira Dutra. Dos Açores para Triunfo, RS. Genealogia.


MANUEL SILVEIRA DUTRA
Dos Açores para Triunfo, RS
Genealogia

                                                           Pesquisa: Prof.º Paulo Corrêa dos Santos 

Segundo registros do familysearch.org(pesquisas históricas) tem-se a formação de um ramo da genealogia de:
1. MANUEL SILVEIRA DUTRA, segundo alguns registros dos livros de Batismo (ref. L. Batismos Triunfo1801-1843) seria originário da Ilha Fayal, outros dizem que seria da Ilha do Pico, dos Açores, Portugal, casado com RITTA MARIA DE JESUS (ou DA CONCEIÇÃO), nuns registros aparece como natural de Taquary, RS; noutros, como de Santo Amaro (?). E ainda, segundo informações do genealogista Diego Pufal(diegopufal@gmail.com), Manuel Silveira Dutra seria natural de Sr. Santo Cristo, Vila da Praia, Ilha Terceira, Açores, casado com Rita Maria da Conceição, batizada em 8 de julho de 1759, em Triunfo, RS. De acordo com Ana Silvia Scott e outros, no artigo “Casais de Ilhéus: a migração do Arquipélago dos Açores para o Rio Grande de São Pedro (décadas de 1740 a 1790)”, disponível em PDF: Manuel e Ritta Maria casaram em 22 de novembro de 1779, em Taquary, na época distrito de Triunfo, constando nesse registro como Manuel sendo natural da Ilha Fayal e Ritta, da Freguesia do Senhor Bom Jesus do Triunfo
Manuel e Ritta seriam pais de:
1.1. FRANCISCO SILVEIRA DUTRA (Manuel Silveira Dutra/Ritta Maria de Jesus), natural de Triunfo, RS. Com dados de Diego Pufal, Francisco foi batizado em 02 de março de 1785, em Triunfo.  Casado em 20 de fevereiro de 1814, na mesma cidade, com JOAQUINA MARIA DO NASCIMENTO (ou DA CONCEIÇÃO), natural de Triunfo, RS, filha de MANOEL TEIXEIRA DE CARVALHO e MARIA JOAQUINA FELICIDADE. Francisco e Joaquina, naturais e moradores de Triunfo, tiveram os seguintes filhos:
1.1.1. MANOEL SILVEIRA DUTRA (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento), nascido em 12 de julho de 1816, batizado em 23 de julho de 1816, em Triunfo, RS, falecido em 1876, em Santa Maria da Boca do Monte, RS, casado com ANNA TEIXEIRA CONRAD, filha do Capitão José Teixeira de Almeida e Maria Antonia de Bittencourt, moradores em Santa Maria, RS. Manoel e Anna tiveram os seguintes filhos:
1.1.1.1. Augusto Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 13 de novembro de 1845, batizado em 21 de janeiro de 1846, em Santa Maria da Boca do Monte, RS, casado com Clarinda Bertulina de Medeiros, filha de Manoel Carlos de Medeiros e Romana Theodora de Assumpção, de Itaqui, RS. Augusto providenciou seu registro de casamento, em Itaqui, em 07 de abril de 1878. Pais de:
Foto acervo familiar de um dos filhos de Manuel Silveira Dutra


1.1.1.1.1. Ernestina Silveira dos Santos, casada, em Itaqui, RS, com Higino Francisco dos Santos. Higino e Ernestina são pais de Osvaldo Silveira dos Santos, casado com Virgilina Corrêa dos Santos, pais de Waldemar Corrêa dos Santos casado com Élvia Corrêa dos Santos, pais de Paulo Corrêa dos Santos, autor desta pesquisa;
1.1.1.1.2. Ercília Silveira Oviedo, casada em 1.ªs núpcias com Artur Assumpção Ramos e em 2.ªs núpcias, com Thomé Oviedo, em Itaqui.
1.1.1.2. Saturnino Silveira Dutra (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 19 de dezembro de 1853, batizado em 17 de agosto de 1854, em Santa Maria. Casado com Marfisa Angélica Assunção, de Dilermando de Aguiar, RS, filha de David José de Medeiros e Maria Angélica do Carmo. Saturnino e Marfisa eram pais de:
1.1.1.2.1. Anna. Nascida em 25 de janeiro de 1877, batizada em 26 de novembro de 1877, em Itaqui;
1.1.1.2.2. Julio. Nascido em 02 de julho de 1884, batizado em 12 de dezembro de 1885, em Itaqui, RS;
1.1.1.2.3. Honorina. Nascida em 24 de abril de 1883, batizada em 22 de novembro de 1882, em Itaqui, RS;
1.1.1.2.4. Maria Ana Silveira Dutra casada com Benicio Martins Alves Sobrinho, nascida em 25 de agosto de 1901, em Dilermando de Aguiar, RS;
1.1.1.2.5. João Silveira Dutra. Nascido em 15 de julho de 1885, falecido em 25 de janeiro de 1964, em Dilermando de Aguiar, RS, casado com Jeronima de Miranda Santarem;
1.1.1.2.6. Deolinda Silveira Dutra. Nascida em 15 de agosto de 1901, Dilermando de Aguiar, RS, casada com Saturnino Silveira de Andrade, filho de Otacilio Lopes de Andrade e Saturnina Silveira;
1.1.1.2.7. Anauuisia ou Armanizia Silveira de Andrade casada com Bento Pereira de Andrade.
1.1.1.3. Lourenço Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 10 de agosto de 1847, batizado em 23 de abril de 1849, em Santa Maria da Boca do Monte, RS, casado com Maria Fausta de Medeiros;
1.1.1.4. Joaquim Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 07 de agosto de 1844, batizado em 21 de janeiro de 1846, em Santa Maria, RS;
1.1.1.5. Deolinda Teixeira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascida em 05 de maio de 1849, batizada em 28 de dezembro de 1849, em Santa Maria, RS, casada com Antonio Rufino de Medeiros, em 1854, em Santa Maria, RS. Pais de:
1.1.1.5.1. Claudionir Rufino Teixeira de Medeiros, casado com Maria Isabel Penna de Moraes, em Santa Maria, RS;
1.1.1.6. Delfino Silveira Dutra. (Manoel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 28 de março de 1843, batizado em 12 de maio de 1843, em Santa Maria, casado com Etelvina Pereira Dutra. Pais de:
1.1.1.6.1. Donato Silveira Dutra. Nascido em 07 de agosto de 1880, batizado em 01 de setembro de 1880, em Itaqui, RS;
1.1.1.6.2. Maria da Glória Silveira Oviedo. Nascida em 25 de novembro de 1882, batizada em 02 de abril de 1883, em Itaqui, falecida em 24 de fevereiro de 1948, Itaqui, RS, casada com Felix Oviedo;
1.1.1.6.3. José Silveira Dutra. Nascido em 26 de julho de 1884, batizado em 12 de dezembro de 1885, Itaqui, RS;
1.1.1.6.4. Honorato Silveira Dutra. Nascido em 11 de janeiro de 1883, batizado em 09 de dezembro de 1885, Itaqui, RS;
1.1.1.6.5. Higina Silveira Dutra. Nascida em 11 de janeiro de 1887, batizada em 18 de maio de 1888, Itaqui, RS;
1.1.1.6.6. Celina Silveira Dutra. Nascida em 17 de julho de 1887, batizada em 19 de maio de 1888, Itaqui, RS;
1.1.1.6.7. Saturnina Silveira Dutra. Nascida em 30 de novembro de 1875, batizada em 27 de abril de 1876, Itaqui, RS.
1.1.1.7. Belisario Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 10 de fevereiro de 1841, batizado em 23 de junho de 1841, Santa Maria, RS, falecido em 1887, Itaqui, RS, casado com Agostinha Ermelinda da Silva. Pais de:
1.1.1.7.1. Manuel Silveira Dutra, casado em 1.ªs núpcias com Maria Joaquina de Medeiros e em 2.ªs núpcias, com Virgilina Hermelinda da Silva;
1.1.1.7.2. José Trindade da Silveira Dutra. Nascido em 11 de julho de 1865, batizado em 29 de outubro de 1867, Itaqui, RS, falecido em 27 de junho de 1934, Itaqui, RS;
1.1.1.7.3. Anna Maria Silveira Dutra, casada com João Pereira Pinto de Aguiar, nascida em 29 de agosto de 1863, batizada em 09 de setembro de 1864, Itaqui;
1.1.1.7.4. Virginia Silveira Dutra. Nascida por volta de 1867, em Itaqui, RS;
1.1.1.8. Basilio Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido por volta de 1837, falecido em 04 de dezembro de 1887, em Itaqui, RS;
1.1.1.9. José Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido em 13 de fevereiro de 1841, batizado em 23 de maio de 1841, em Santa Maria, RS, falecido em 1886, em Itaqui, RS, casado com Rosalina de Escovar Dutra. Pais de:
1.1.1.9.1. Genaro Silveira de Escobar. Nascido por volta de 1882, Itaqui, RS;
1.1.1.9.2. Adelina Silveira de Escobar. Nascida em 05 de setembro de 1885, batizada em 12 de dezembro de 1885, Itaqui, RS;
1.1.1.9.3. Alvaro Silveira de Escobar. Nascido por volta de 1880, Itaqui, RS;
1.1.1.9.4. Mariana Dutra. Nascida em 05 de junho de 1865, batizada em 03 de junho de 1867, em São Borja, RS;
1.1.1.9.5. Anna Isabel Silveira de Escobar. Nascida em 04 de julho de 1882, batizada em 24 de abril de 1883, Itaqui, RS;
1.1.1.10. Agostinho Silveira Dutra. (Manoel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido por volta de 1860, sem maiores dados;
1.1.1.11. Zeferino Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido 26 de agosto de 1862, batizado em 09 de fevereiro de 1864, Itaqui, RS;
1.1.1.12. João de Deus Silveira Dutra. (Manuel Silveira Dutra/Anna Teixeira Conrad). Nascido por volta de 1840, casado com Rita Maria da Costa. Pais de:
1.1.1.12.1. Anna. Batizada em 14 de janeiro de 1853, em Santa Maria, RS;
1.1.1.12.2. Zulmira Silveira Dutra. Nascida em 1851, batizada em 08 de janeiro de 1853, Santa Maria, RS

1.1.2. BASILIO SILVEIRA DUTRA. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento), nasceu por volta de 1824, faleceu em 03 de dezembro de 1880, em Itaqui, RS, sem maiores dados:
1.1.3. DELFINO SILVEIRA DUTRA. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento), sem maiores dados;
1.1.4. BALBINA SILVEIRA DUTRA. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento), nascida em 06 de setembro de 1835, batizada em 01 de fevereiro de 1836, em Santa Maria da Boca do Monte, RS;
1.1.5. RICARDA CONSTANCIA JOAQUINA DO NASCIMENTO. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento), nascida em 12 de abril de 1815, batizada em 23 de abril de 1815, em Triunfo, RS, casada em 06 de maio de 1831, em Santa Maria, RS, com Francisco Alvares da Cunha; pais de:
1.1.5.1. Constança. Nascida em 07 de junho de 1839 e batizada em 08 de janeiro de 1840, em Santa Maria, RS.
1.1.6. JOAQUINA SILVEIRA DUTRA. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento). Nascida em 1831, batizada em 24 de novembro de 1833, em Santa Maria, RS;
1.1.7. JOSÉ SILVEIRA DUTRA. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento). Nascido em 02 de junho de 1824, batizado em 02 de agosto de 1824, em Triunfo, RS;
1.1.8. ALEXANDRE SILVEIRA DUTRA. (Francisco Silveira Dutra/Joaquina Maria do Nascimento). Nascido em 24 de novembro de 1822, batizado em 23 de fevereiro de 1823, em Triunfo, RS.

1.2. JOSÉ SILVEIRA DUTRA. (Manuel Silveira Dutra/Ritta Maria de Jesus). Natural de Taquary, RS, casado com Anna Maria da Silva, originária da Freguesia de Nossa Senhora dos Anjos. José e Anna eram pais de:
2.1. Serafim. Nascido em 12 de novembro de 1815, batizado em 24 de novembro de 1815, em Triunfo, RS;
2.2. Florisbella. Nascido 20 de abril de 1811, batizado em 03 de julho de 1811, em Triunfo, RS;
2.3. Manoel. Nascido em 02 de fevereiro de 1823, batizado em 17 de fevereiro de 1823, em Triunfo, RS;
2.4. Francisco. Nascido em 11 de março de 1814, batizado 11 de abril de 1814, em Triunfo, RS;
2.5. Bibiana. Nascida em 02 de maio de 1821, batizada em 14 de junho de 1821, em Triunfo, RS.

1. 3. ANNA MARIA DE JESUS. (Manuel Silveira Dutra/Ritta Maria de Jesus), natural de Triunfo, RS, casada com Manoel José de Azevedo, do Rio de Janeiro, pais de:
3.1. Manoel. Nascido em 26 de agosto de 1811, batizado em 06 de outubro de 1811, em Triunfo, RS;
3.2. Florisbela. Nascida em 03 de janeiro de 1819, batizada em 14 de março de 1819, em Triunfo, RS;
3.3. Mathias. Nascido em 24 de fevereiro de 1806, batizado em 27 de março de 1806, em Triunfo, RS;
3.4. Ricardo. Nascido em 24 de fevereiro de 1824, batizado em 01 de maio de 1824, em Triunfo, RS;
3.5. José. Nascido em 21 de outubro de 1814, batizado em 15 de novembro de 1814, em Triunfo, RS.

Fontes consultadas:
Arquivo da Prefeitura Municipal de Itaqui. RS
Arquivo da Câmara Municipal de Vereadores de Itaqui. RS
Arquivo da Paróquia de São Patrício de Itaqui. RS
Arquivo da Cúria. Bispado de Uruguaiana. RS
Arquivo Bispado de Santa Maria. RS(Livros de Batismos)
Familysearch.org. Pesquisa histórica. Rio Grande do Sul. Registros Paroquiais
SCOTT, Ana Sílvia e outros. Casais de Ilhéus: a migração do Arquipélago dos Açores para o Rio Grande de São Pedro (décadas de 1740 a 1790), disponível na net.




quarta-feira, 25 de março de 2020

O estopim do Incidente de Alvear - 1874.


O estopim do Incidente de Alvear – 1874.
Uma comissão que era uma farsa e um comandante arretado!
Prof.º Paulo Santos
Foto do Teatro que homenageia o Incidente de Alvear através de seu comandante - Estanislau Prezewodowski

No mês de junho do ano de 1874 chega em Itaqui uma comissão de médicos procedente da Itália. Diziam que andavam a serviço do governo italiano. Uns dos que comandava o grupo era o suposto doutor Benat. Apresentaram-se às autoridades locais no intuito de poder clinicar na cidade.

O delegado do povoado, Dr.º Egydio Barbosa Oliveira Itaquy, desconfiou da turma em questão e proibiu que eles exercessem suas funções. Argumentou que no governo imperial, eles tinham que fazer exame de suficiência para poderem atuar como médicos.
Dr.º Egydio Barbosa de Oliveira Itaquy (reprodução ronaldofotografia.blogspot.com.br)

Parece que tal comissão não aceitou bem a determinação. Dessa forma, a título de protesto, os mesmos colocaram cartazes nas ruas contra a decisão, dizendo que iriam para as barrancas para dar consultas, no horário das 7 às 9h, alegando que ali estariam em território estrangeiro. As barrancas em questão seriam as do lado argentino, em Alvear.
Em 19 de julho de 1874, o médico da Flotilha do Alto Uruguai, 1.º Tenente Pamphilo Manoel Freire de Andrade, ao atender alguns pacientes no povoado de Alvear, o que era corriqueiro na época, devido  à ausência de profissionais gabaritados na pequena povoação fronteiriça do outro lado, pois este médico fora agredido por duas pessoas.
De retorno à unidade militar, deu ciência do ocorrido ao comandante do arsenal de Guerra da Marinha, Capitão Tenente Estanislau Przewodowski.
E deu bochincho! E dos grandes!
O caso virou um incidente internacional – os barcos da Flotilha, sob ordem de seu comandante, um baiano arretado,  bombardearam por três vezes seguidas o povo de Alvear.
E a coisa enfeiou para Przewodowski! Foi destituído do cargo e mandado a Conselho de Guerra. Imagina bombardear um país amigo, uma localidade pequena, indefesa, por buques de guerra! Inconcebível!
E o estopim?
Estava no início deste texto, que o leitor poderia achar sem graça uma comissão de médicos aportar no distante Itaqui de 1874.
Pois, naquela comissão estavam os charlatões Guido Benat e Vicente Logatto. Não deixaram eles trabalhar no Brasil, então trataram de se vingar no médico da Flotilha. Foram os mesmos que o agrediram na beira do rio Uruguai, no porto de Alvear, sem a interferência da guarda local.
Pesquisas ulteriores sobre esse grupo trouxeram-nos revelações inusitadas. Era uma mistura de curandeiros e artistas. Andavam em grupos, faziam espetáculos com bichos e feras, professavam a medicina  e desafiavam as leis brasileiras.
Dr.º Itaquy, um dos ancestrais da família Barbosa, de Itaqui, percebeu que de médicos os ditos não tinham nada. O fato gerou uma crise entre os dois países repercutindo nos debates do Senado e na troca de correspondências dos referidos consulados.
Talvez poucos soubessem deste detalhe – por que agrediram ao médico da Marinha? Quem eram? O que faziam por aqui? Depois...bem....depois a coisa ficou feia para o lado do Capitão Tenente, futuro e promissor engenheiro, Przewodowski. Itaqui resgatou seu nome num belo teatro, entretanto Przewodowski nunca mais foi o mesmo.. desiludido com os rumos do incidente e com as decisões das autoridades brasileiras, resolveu nunca mais tocar no assunto. Coisas do passado!


segunda-feira, 23 de março de 2020

Itaqui: de empório ervateiro a entreposto de contrabando.


Itaqui: de empório ervateiro a entreposto de contrabando.
Um progresso fulminante sob a égide de práticas corriqueiras do comércio fluvial fronteiriço
Prof.º Paulo Santos
Itaqui situava-se, em sua formação inicial como um entreposto importante do comércio da erva mate na fronteira oeste. Ainda que não houvesse sequer um pé dessa planta no território itaquiense, por aqui passava a maior parte do volume de transações do produto para outros portos.
O povoado, criado por volta de 1821, mantinha uma rota comercial com o porto de Curuzu Cuatiá, no lado argentino, da mesma forma que ocorria com São Borja e Itapuã, no Paraguai. Por esta rota ingressava a erva brasileira exportada para outros portos ao longo do rio Uruguai.
Como se sabe, o porto de Itaqui nasceu como um posto militar devido às constantes invasões dos espanhóis, desejos de reconquistarem os povos missioneiros entregues aos portugueses. Dessa forma, o governo da província instalou um acampamento militar comando pelo Capitão Fabiano Pires de Almeida, morador de São Borja, com 150 soldados, situados, inicialmente, na barra do arroio Cambaí, sendo transladados, mais tarde, para a área onde hoje seria o centro da cidade de Itaqui.
A povoação foi recebendo imigrantes italianos e franceses, alguns fugitivos dos movimentos bélicos fronteiriços. Pequenas e grandes embarcações faziam o comércio itinerante no Uruguai, procedentes do Rio da Prata.
De Itaqui era exportado gado vacum, couros e mulas para a região de Corrientes, Argentina. A bibliografia constante sobre o tema dá conta de que os povoadores de Itaqui se dedicavam ao comércio de erva mate.
Por aqui ingressavam muitos artigos que eram distribuídos para os mercados de Cruz Alta e Passo Fundo.
Por isso, cabe afirmar que em determinados períodos, Itaqui teve sim um progresso fulminante.
Por outro lado, muito dos autores salientam o predomínio do contrabando, tanto do lado argentino quando do lado oriental, repercutindo em Itaqui como rota importante desse comércio flutuante.
Entre 1.º de junho de 1857 a 30 de junho de 1858, por exemplo, passavam pelo porto de Itaqui 1.324.593 quilos de erva mate para a Argentina. Somados às remessas feitas ao Uruguai (1.923.593 quilos) alcançavam o total de 3.248.186 quilos, algo exorbitante para uma praça que não tinha sequer um pé de erva mate em suas terras.
Nesse mesmo período, o porto de Itaqui recebera mais de 1.600 carretas de erva. Um pouco dessa quantia era consumida no povo e o demais, exportado.
O endereço uruguaianaatalaiadapatria.worpress.com (2019) traz curiosa informação sobre o surgimento do comércio flutuante de Itaqui:
(...) O local aonde se ergue hoje (1816) a cidade de Itaqui possuía apenas alguns ranchos agrupados em torno de uma pequena casa comercial que servia de base para o contrabando com a Argentina, a esse tempo chamava-se este local, Rincão da Cruz.

Observa-se que a prática do contrabando era anterior ao estabelecimento do empório da erva mate. Ainda que esse comércio fosse forte e que mais tarde fosse agregado ao trânsito comercial da erva mate nesta fronteira, Itaqui demorou a progredir. Maestri (2019) nos informa que em 1865.
A povoação era nova e acanhada, tendo crescido devido ao comércio de erva mate. Ela possuía sobretudo casas de adobe e teto de palhas – apenas alguns negócios e moradias mais ricas eram levantadas em alvenaria e telhados.

Em 1838, por exemplo, o passo de Itaqui (na frente de La Cruz) e o Passo de Santa Ana, atual cidade de Alvear, na Argentina, eram habilitados para o comércio e exportação de gado, migrando de Itaqui para localidades como Curuzu Cuatiá e Esquina, na porção argentina da margem do rio Uruguai. Era uma freguesia de São Borja.
Reminiscência arqueológica de La Cruz - Relógio Solar - (foto disponível em www.taringa.net)
Até 1860 havia um trânsito intenso de carretas e cargueiros comerciais na rota Yaguareté Corá – Curuzu Cuatiá até Mirinãy através do porto de Itaqui. Daqui eram enviados em buques (barcos maiores) para Buenos Aires. (Gadelha, p.119).
Devido às guerras civis suscitadas desde 1838 entre uruguaios e argentinos, muitas vezes o trânsito das mercadorias exigia guias solicitadas pelas mesas de rendas. Assim, para burlar este controle muitos comerciantes desviavam por rotas e caminhos mais difíceis. E a resposta ao cumprimento das obrigações alfandegárias e a busca por melhores lucros foi o contrabando.
Segundo informação de 1869, as ervas do Uruguai vinham exclusivamente para Itaqui. Em 1870 havia apenas dois guardas fiscais pra cuidar do contrabando, comum no porto de Itaqui.
Tais informações davam conta de que as casas comerciais de Itaqui eram abarrotadas de produtos contrabandeados. Os mercados de Buenos Aires e Montevidéu, como centros do comércio internacional por volta de 1850, abasteciam esta região com produtos manufaturados, incentivando, também, a entrada de capitais internos e estrangeiros.
Medrano (1989, p.292) destaca o caráter ilícito desse comércio:
Hasta 1852 estas atividades eran realizadas de contrabando por sus fronteras dando origen a un intercambio espontaneo, pero, constante. Embarciones de pequeno y médio porte surcaban las aguas del rio y cruzaban de uma orilla a outra transportando produtos locales, y hasta europeos que entraban de contrabando por suas fontreras.

Isso acontecia porque a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul possuía enorme facilidade de navegação pelo rio Uruguai. Os produtos vindos da Europa e dos Estados Unidos chegavam aos portos de Buenos Aires e Montevidéu migrando, depois, para nossa fronteira fluvial.
O jornal Argos, de Santa Catarina, edição 155, p.3, de 1857, estampava curiosa notícia de contrabando em Itaqui:
Em 24 de abril de 1857 se projetou a realização de um contrabando na margem do Uruguai. Duas carretas, à meia noite, estavam recendo mercadorias de dois botes, do território de Corrientes, na direção de Itaqui. Foram apreendidos 17 volumes com fazendas, duas carretas e 16 bois mansos e gordos.

Inclusive, nas fontes pesquisadas havia indícios da colaboração dos guardas aduaneiros acobertando contrabandistas. Alguns eram denunciados e punidos, outros, fugiam para o lado argentino.
São Borja perde o monopólio do comércio da erva mate e os comerciantes migram para o porto de Itaqui porque vislumbravam maior poder de lucro e mobilidade de trânsito para escoamento de seus produtos. Alguns pagavam os impostos devidos às mesas fiscais; outros, nem tanto. Afinal, o contrabando era uma prática recorrente. E consentida. Comerciantes que se salientaram na economia antiga de Itaqui e se tornaram personalidades importantes na história, legando para seus descendentes grandes capitais, fizeram-se, assim, pelo contrabando. E não foram poucos, não! Citá-los agora não seria adequado porque sobejam descendentes deles no Itaqui grande.

Flashes da história primitiva de Itaqui.


Flashes da história primitiva de Itaqui
Olhares atentos. Ouvidos hirtos. Um misto de credulidade e de graça!
Prof.º Paulo Santos

É incrível o quanto o passado nos surpreende com suas peculiaridades. Ao longo da trajetória histórica e temporal do universo itaquiense, deparamo-nos  com preciosidades reverenciais inusitadas, atípicas e anacrônicas sob o olhar contemporâneo.  Algumas como:
·         No ano de 1760, na efervescência da República Comunista-Cristã (se tal terminologia fosse aceita), índios de ITAQUI foram até a redução de São Nicolau ( a 1.ª querência rio-grandense) recepcionar um Bispo da Companhia de Jesus, vindo de Buenos Aires, em visita às reduções missioneiras orientais. O curioso dessa recepção é que os caciques dos povos fizeram dupla procissão, constando de guaranis cristianizados e animais domesticados. O estranho cortejo tinha feras enjauladas como onças, tigres, além de lontras, cotias, macacos, nutrias, perdizes e perdigões. Se foram índios de Itaqui a este evento era porque os mesmos estavam ambientados ao processo comunitário-cristão da época. Com certeza, não era um povo jesuítico, mas representações das capelas do Rincão da Cruz que lá compareceram.
·         Mais distante ainda, ano de 1710, uma informação “pra lá de estranha”!  Um antigo pesquisador missioneiro, Pedro Marques dos Santos, numa publicação de 1985, informava que foi criada a primeira fábrica de sabão do Rio Grande do Sul. Conta que dois portugueses teriam montado uma indústria cuja matéria prima era a carne abandonada nos campos que, reunida, era transformada em sabão. Diz mais ainda – que tal fábrica estaria situada na região do Serro de ITAQUI, ou seja, a parte mais alta, pedregosa e árida. Com todo crédito que se possa dar à fonte em questão, esta notícia pende mais para o lado folclórico e do imaginário.
·         Chegando perto do ITAQUI português, encontramos um informe de 1858. Trata-se de um relatório do governo provincial indicando a necessidade da construção de uma pequena casa de detenção. O inusitado transita no sentido de que os criminosos eram conservados num rancho de capim e, pasmem!, sem portas. Mais de um vez, os prisioneiros fugiram acompanhados das sentinelas. Que maravilha!
·         Julho de 1865, os paraguaios invadem ITAQUI, saqueando propriedades e prédios públicos. A igreja matriz teve suas alfaias (paramentos e objetos litúrgicos) roubados. Em 1866, o padre José Coriolano de Sousa Passos solicitou ao governo provincial a compra de novos objetos sacros. Eles foram adquiridos e, no mesmo ano, o governo monárquico de Dom Pedro Segundo autoriza que estas alfaias e ornamentos fossem benzidos. Coisas do passado! O Imperador mandou. Deus salve o rei!
Sua Majestade, D. Pedro II
Nem sempre os relatos históricos estão eivados de heroísmos e fatos grandiosos. Às vezes eles estão assim – simples, curiosos, inusitados e, na maior parte, engraçados. E isso é história! Serve de munição para a formatação das estórias à beira dos fogões, dos causos inauditos, da configuração das lendas, do endeusamento de personagens. Matronas sisudas recontavam causos para a piazada; empertigados centauros platinos, sonoramente, reverberavam esses relatos. E o povo era alimentado dessas gostosas informações de um passado sentimental e folclórico. Denso, por um lado, mas repleto de pilhérias e descontraídas gargalhados, por outro. Isso é história!

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Um duelo às cegas no alvorecer do Sec. XIX no Itaqui Grande do Sul!


Um duelo às cegas no alvorecer do Século XIX no Itaqui Grande do Sul

Prof.º Paulo Santos

No distante ano de 1902, primórdios do Século XIX, transcorria modorrenta e insípida a vida costeira neste rincão. Algumas matronas espreitavam nas janelas a espiar um garboso trote de algum gaúcho que cruzava as poeirentas vias do Itaqui.
Silêncios tantos. A existência grassava a passos de lesma. Muita calmaria no pacato vilarejo ribeirinho.
E na costa do “rio dos caracóis”, a outrora reluzente Flotilha do Alto Uruguai.
Era visível a constatação de que só restavam barcos velhos, encouraçados, canhoneiras, que se achavam em serviço desde a Guerra do Paraguai.
Frontaria da antiga oficina da Flotilha, de autoria do artista itaquiense Gracco Bonetti

Oito anos atrás, a Canhoneira Vidal de Negreiros e a Escuna América tinham sofrido forte tiroteio por parte dos revolucionários federalistas. Os mesmos, emboscados, no mato, mandaram “bala e bala” nas naves da Flotilha. Coisa feia! Fizeram vários furos na blindagem das mesmas, chegando a ultrapassar uma grossa chapa de ferro. Inclusive, teve marinheiros feridos. A tripulação destes barcos revidou com metralha e canhões.Tempos negros da Revolução Federalista, a da degola!
As críticas a esse arsenal de Marinha, em nossa fronteira, eram contundentes. Notícias vindas dos jornais do centro do país davam conta da pressão política para extinção da unidade. Apregoavam que os marinheiros vinham para passear e fazer bons casamentos. Que o ostracismo da vida fronteiriça rio-grandense era exacerbado.
Que a Flotilha não tinha naves de guerra nem pessoal habilitado para fazer frente a nenhum ataque estrangeiro. Que a maior parte do tempo, as canhoneiras, encouraçados, barcaças e outros embarcações ficavam encalhados na margem do Uruguai, na boca ou na bacia do arroio Cambaí. Por serem de grande calado, não reuniam condições de navegar em todo curso do rio Uruguai, somente sendo possível nas grandes cheias, quando os saltos, ao longo do rio, ficavam abaixo da correnteza, dando passagem às embarcações.
O Capitão-Tenente João Paraguassu era secretário e ajudante de ordens da Flotilha do Alto Uruguai, em 1902. Em matéria do Jornal Correio da manhã, RJ, edição 15906, de 10/09/1946, à página 15, ele relembra um episódio assaz curioso e inusitado na Flotilha: um duelo nos confins do mundo – Itaqui, 1902.
Num misto de culpa e cumplicidade, o ex-secretário detalha as nuances do duelo.
Anos 1900 – estranho haver duelo!
Um marinheiro, jovem ainda, namorador ao extremo e ciumento, na mesma proporção, andava de amores com uma moça da zona do Serro. Parte alta da cidade de Itaqui, zona da pedra, talvez não a pedra grês, a pedra “Itaqui”.
Relação sinuosa, viviam de entreveros, separações, brigas e ciúmes.
Numa feita, soube da amada com outro num baile. A coisa encrespou! Os fios do bigode eram os guardiões da honra e da masculinidade impoluta. Dedos em riste. Desacatos e uma certeza – duelo marcado! 
Sem “mimimi”, ali se resolvia na ponta da adaga....ou da espada!
A honra era fundamento inconteste.
O marinheiro requisitante pede a intercessão do Capitão-Tenente. Este, meio a contragosto, aceita.
Marcam o dia e a hora. Cada um lustrou a espada.
Mediram a distância. 
O oficial faz uma contagem simbólica, bate palmas e ordena o combate.
Imaginemo-la, uma cena aos moldes medievais, digna de combates épicos.
Que nada!
Os contendores eram valentes, mas pouco entendiam de esgrima. 
Parecia um duelo de cegos, porque batiam a torto e a direito. Um acertou o rim do outro, que revidou com um golpe no nariz do mesmo, quase decepando-o.
Nesse ponto, acudiu o médico da Flotilha e o duelo deu-se por encerrado.
Honra desagravada? Não se sabe.
Talvez a moçoila seguisse de baile em baile longe do galego marinheiro. São flashes do passado, inusitados à luz de nosso tempo, mas consistentes em suas razões. Afinal – o passado sempre imita a passado.
Quatro anos mais tarde,a Flotilha é extinta. Hoje, contemporâneos cidadãos visitam aquele sítio, sem o mesmo garbo, sem a mesma luzidia, sem a flegma aristocrática da monarquia, sem os românticos tons do passado glorioso.
postal por volta de 1908-1910, quando as instalações eram ocupadas pelo Exército


.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A Revolução Farroupilha e seus respingos no Rincão da Cruz - Itaqui!


A Revolução Farroupilha e seus respingos no Rincão da Cruz – Itaqui
Prof.º Paulo Santos

No dia 20 de setembro comemora-se o aniversário da Revolução Farroupilha. Evento endeusado por muitos e visto com reservas por outros, configura-se, entretanto, como um dos mais representativos da história brasileira. Revolucionários comandados por Bento Gonçalves e elementos majoritários das camadas mais abastadas da sociedade rio-grandense desafiam o governo central, questionando direitos e uma possível independência.
Combates sucederam-se ao longo de quase 10 anos. Alguns relevantes, outros, nem tanto.
E Itaqui – foi palco de embates farrapo-monárquicos?
Vasculhando a literatura histórica sobre o tema, vamos encontrar poucos registros significativos. Porém, no território itaquiense ocorreram alguns encontros bélicos – de pouca monta, mas importantes no contexto das posições em luta.
Imagem (pesquisa google)
General Bento Gonçalves da Silva

De 29 a 30 de novembro de 1837, por exemplo, aconteceu um pequeno combate no Passo do Mariano Pinto, rio Ibicuí, ficando em torno de 40 combatentes farrapos mortos e mais de 40 legalistas feridos. Nesse período, Itaqui experimentava um acelerado desenvolvimento econômico, sendo, inclusive, elevada à cabeceira de paróquia, com a designação de freguesia por transformar-se no empório da erva-mate nesta fronteira.
Importante destacar que entre 1836 a 1840, no fervor da revolução, a pólvora fabricada por Montevidéu, Uruguai, passava pelo porto de Itaqui, provavelmente municiando farrapos e monárquicos e outras políticas de natureza bélica num período de bastante oscilação entre as fronteiras.
Imagem (pesquisa google)
General Bento Manoel Ribeiro

           Em 20 de janeiro de 1840 tem-se a notícia de que 200 arrobas de erva-mate eram remetidas, via porto de Itaqui, ao General Bento Manuel, que neste período estava retornando para os revolucionários de Bento Gonçalves. No mínimo, estranho este envio de tão vultuosa quantia a um comandante das forças opositoras ao regime instalado.
Já em 8 de abril de 1840, em plena revolução, tem-se a notícia do roubo de uma caixa de prata das Missões. Caixa esta que teria passado por Itaqui antes de ser destinada a Porto Alegre.
Dia 17 de janeiro de 1841, combate no Rincão da Cruz, (nome pelo qual era conhecido o vasto território de Itaqui), em que o Coronel Jacinto Guedes da Luz vence as forças do Tenente Coronel José dos Santos Loureiro, ficando aprisionados em torno de 100 soldados e seu comandante.
10 de setembro de 1843, forças farrapas atravessam o Passo do Mariano Pinto, no rio Ibicuí, com 300 infantes e 600 cavaleiros. Neste mesmo período, o Coronel Jacinto Guedes da Luz encontrava-se com a 2.ª divisão de Bento Manuel Ribeiro.
Observa-se o constante movimento de tropas nesta região, constituindo-se como movimentos de manobras, perseguições de ambas as forças.
Em 27 de outubro de 1843 descobriu-se que havia um plano dos rebeldes farrapos de invadir e saquear São Borja e Itaqui. Talvez fossem ilações legalistas visto que não estava nos propósitos dos revolucionários o saque das povoações.
26 de dezembro de 1843, combate de Santa Rosa, próximo ao rio Butuí, onde o Coronel Demétrio Ribeiro e o major Antônio Fernandes Lima vencem uma coluna de 500 farrapos, comandada por João Antônio da Silveira e Onofre Pires. Os farroupilhas tiveram 100 feridos e 35 prisioneiros. Este local fica distante de Itaqui, contudo, no teatro de guerra vizinho a esta vila. Entre os monarquistas estava Antônio Fernandes Lima, futuro Coronel, uma das mais representativas lideranças político-militares da história itaquiense.
24 de fevereiro de 1845, uma coluna de republicanos atravessa o rio Uruguai, via Itaqui, em direção a Alvear, Argentina. Já no final de fevereiro e início de março do mesmo ano, os dois Bentos cruzam o rio Uruguai, sendo Bento Gonçalves perseguido por Bento Manuel e ambas as forças migrando para Alegrete.
Ainda que não fossem batalhas ou combates expressivos ou decisivos, estrategicamente, constituíram, de outra forma, em movimentos importantes e mostraram o poderio de ambas as facções nesta “ímpia e injusta guerra”.

sábado, 3 de agosto de 2019

Casilha do Porto - estabelecimento de água e sonhos!


CASILHA DO PORTO – ESTABELECIMENTO DE ÁGUA E SONHOS
Prof.º Paulo Santos

“Eu já não sei se a graça
É o rio que passa
Pra ver a casilha
Ou é o tempo que passou
E a casilha ficou
Pra ver o rio passar”.

Com essa estrofe da singularíssima canção de Rubinaldo Messina Kulmann (“Eu, a casilha e o rio”), um dos mais fecundos compositores de Itaqui, autor da melodia que considero quase que um hino da nossa identidade fronteiriça, pois com estes versos faço referência a um dos prédios mais conhecidos do nosso tempo pretérito – a Casilha do Porto.
Muito tem se tem falado, erradamente, sobre a Casilha. Certa feita, foi publicada uma reportagem sobre Itaqui, num dos jornais da capital, onde dizia que a Casilha foi uma espécie de guarita, um observatório, um fortim, tendo participação, inclusive, até na Revolução Farroupilha. Mentira ou desconhecimento histórico? Cada um que julgue como aprouver.
Visão interna das colunas, um maciço de pedras
A Casilha nunca serviu a tais fins. Ela tem “apenas” 129 anos de existência. Em 22 de janeiro de 1890, justamente às 12 horas, no Paço da Câmara Municipal, no prédio, provavelmente onde está situada a prefeitura, o senhor José Maria Garcia (parece que um imigrante uruguaio), viera propor um contrato com a Intendência Municipal, na época comandada pelo Coronel Felipe Nery de Aguiar. Esse contrato previa a construção de um estabelecimento, no Porto, com máquina hidráulica para fornecimento de água potável aos itaquienses.
Para tanto, o município concedeu um terreno no referido Porto, medindo 30 m por 60 m, tendo o contratante direito a usá-lo por no mínimo 20 anos, não podendo ser usado para nenhum outro fim. Estas instalações comportariam uma caixa de água com aparelhos, motor e encanamentos para conduzir a água encanada no centro do rio e sua posterior distribuição aos fregueses. O preço combinado não poderia exceder a 20 réis por balde de 15 litros d´água.
foto do autor 
Não se sabe em que condições a água chegaria nas edificações. Tratada de alguma forma ou apenas em retirada do meio do rio e canalizada?
Os trabalhos para a fundação do estabelecimento, que hoje se conhece como Casilha do Porto, começaram em abril de 1890, tendo término previsto até janeiro de 1893. Não se têm notícia de que a obra durou tanto tempo assim para ser construída. A base do referido prédio é portentosa, resistindo às constantes cheias do rio Uruguai. A estrutura continua a mesma, a parte superior foi restaurada, mantendo o mesmo modelo.
Dessa “hidráulica”, a água seria destinada à caixa de água, construída em ferro, localizada ao lado de um dos portões laterais do Mercado, na travessa Domingos Lacroix. Daí era transportada para algumas casas particulares, principalmente do centro da cidade. Esse, pelo que se entende, era um privilégio de poucos. Aliás, comparar o passado ao presente não é mera coincidência, embora boa parte da sociedade tem acesso aos serviços mínimos. Tal serviço durou até 1932, quando foi instalado um sistema mais moderno de abastecimento urbano de água.
Esta Casilha serve para alimentar o imaginário do Rincão da Cruz, evocar suas raízes, passear pelas reminiscências, evocar tempos românticos e suscitar um reencontro com o passado mítico e sentimental de nossa terra, com os pilares (desta mesma Casilha), entretanto, bem cravados no chão da contemporanedade.
Então, a pseudo pergunta do texto de Rubinaldo, nos remete à divagação: - será que o rio passa para ver a casilha ou a casilha ficou para ver o rio passar?

O Minhocão de Itaqui

                        O Minhocão de Itaqui:   o limite entre o real e o imaginário ! Prof.º Paulo Santos O limite entre o real e o ima...